terça-feira, 6 de junho de 2017

Longínqua, agreste, mas fantástica

Falo do Sabugal, cidade do Distrito da Guarda bem juntinho à Serra da Malcata que, no passado fim-de-semana recebeu uma jornada dupla de triatlo. No Sábado, prova na distância Olímpica (1,5; 40; 10) Km, no Domingo, tempo para uma daquelas que deixa a boca a saber a sangue, de tão rápida que é (0,3; 10; 2) Km.

Início do segmento de ciclismo com o João Serôdio
Apesar de ter iniciado o segmento de natação com alguma dificuldade, consegui encontrar um ritmo confortável e cumprir a distância em cerca de 27' a morder os calcanhares aos meus colegas de equipa.

Esta melhoria traduziu-se em ter conseguido fazer o segmento de ciclismo quase na íntegra com o meu colega de equipa Paulo Lamego e outro atleta do Sporting de Espinho. A parceria funcionou na perfeição e permitiu-nos cumprir os 40Km com média superior a 34Km/h. Excelente se considerarmos a orografia da zona, bem recortada.


A partilhar o pódio com o antigo atleta olímpico
de Pentatlo Moderno - Manuel Barroso
O segmento final seria sempre uma incógnita. Como reagiria eu à pouca carga que tenho colocado na corrida? Ainda que algo longe dos meus melhores desempenhos, geri da melhor forma e pude acabar com um registo de cerca de 41' mas, e este é o ganho maior, sem que as mazelas me tivesse apoquentado. A ver vamos se a coisa está bem encaminhada.

video
No Domingo integrei a estafeta de Veteranos, juntamente com o Silva e o Lamego, tendo ficado com o último percurso. Uma distância que não é de todo apropriada para atletas do nosso escalão etário, agravado pelo facto de treinarmos para distâncias muito superiores, disputadas a ritmos bem distintos. Éramos terceiros a escassos segundos do segundo lugar quando recebi a estafeta. Consegui ganhar essa posição durante o segmento de natação mas, fui mais lento na transição e aí comprometi, irremediavelmente, qualquer expectativa de lutar pela classificação. Comecei a correr com cerca de 200m de atraso, o que era impossível de recuperar em apenas 2Km. Assim, restou-me aconchegar um pouco o ritmo para uma toada confortável, apenas para cumprir a distância.

Em meados de Julho haverá mais. Será em Oeiras.

Fotos e videos da Rita Ramos, Ricardo Silva, Triatlo Portugal

terça-feira, 2 de maio de 2017

Beliscão no planeamento... por uma boa causa, chamada Estrelita!

Algures entre Gonçalo e Seixo Amarelo (Guarda)
Não era bem isto que tinha no meu planeamento. Mas, uma ida tão perto da grande serra não se pode desperdiçar e, como tal, lá fui limpar as pernas à Estrela.


Aproveitando uma deslocação à Guarda levei a bicicleta e dois tracks alternativos, porque a meteorologia não estava de todo favorável para brincadeiras na montanha. Assim, a minha primeira opção seria Guarda, Covilhã, Torre, Manteigas, Guarda, enquanto uma segunda hipótese rumava aos lados de Sortelha e Sabugal, em cotas mais baixas e, como tal, menos expostas.


Fonte Paulo Luís Martins
Verifiquei também que a minha capacidade de persuasão anda pelas ruas da amargura. Pois... Não consegui convencer uma alma que fosse para me fazer companhia e lá acabei por ir a solo.

Saí da Guarda com chuva, com frio, e com muito, muito vento. Pensei ir até Belmonte e, caso se mantivesse a intempérie voltaria à Guarda. O regresso seria a subir e logo aqueceria. Felizmente, quando cheguei a Belmonte, o sol espreitava. Sequei e continuei para o segundo objectivo: Covilhã. Mais uma vez pensei que, se estivesse mau no alto, regressaria pelo mesmo caminho.


Mas o sol raiava na Covilhã e, no alto, apesar das nuvens, a coisa não parecia assim tão agreste. Comecei a escalada para a Torre de forma tranquila. Tão tranquila como os meus andamentos 39*25 me permitiam. O vento fazia-se sentir cada vez mais e a cerca de 3Km das Penhas da Saúde uma rabanada quase me atirava ao chão. Como se não bastasse surgia o segundo furo do dia e o stock de câmaras de ar, de remendos e de bombas de CO2 estava nas últimas.


Acabei por remediar o furo. Tinha pneu mas com muito pouca pressão, o que aumentava a dificuldade de pedaleio. Mais, o vento estava frontal e fortíssimo e, para não destoar, as nuvens sobre a Torre tinham cor de chumbo. Pois... a Torre ficaria para outro dia. Conheço relativamente bem a serra e, se aos 1600m estava assim, aos 2000m seria um verdadeiro Inferno.

O vale glaciar do Zêzere

Desse modo, em Piornos virei de imediato para Manteigas e comecei a descida para o coração da Estrela de forma tranquila, pelo vento, pelo frio e pelo pneu dianteiro que não inspirava confiança. Foi sempre a descer até Vale de Sameiro, em estrada irrepreensível.

Virei na direcção de Gonçalo e de Seixo Amarelo, por estradas que não conhecia, mas que me encheram as medidas. Ausência de tráfego, pavimento impecável, vistas assombrosas.


Não foi exactamente o que tinha planeado para este treino. Mas, dadas as vicissitudes do dia, acabou por ser um excelente treino mental, na superação de todas as dificuldades que foram surgindo: o vento, a chuva, o frio, as avarias mecânicas. E o Ironman precisa tanto destas coisas... :-)

Em Sevilha outra vez!

Estavam cumpridos 93Km de ciclismo
Sevilha é logo ali e gosto do Half que lá se faz. Portanto, foi o segundo half no espaço de 15 dias.

O Half de Sevilha tem a particularidade de se disputar à tarde, com a partida às 15h30, a tentar fugir ao calor andaluz. Foi a minha terceira participação consecutiva nesta prova, de que gosto bastante, pese embora um ou outro detalhe que podiam ser melhorados.

A natação tem demasiado contacto e é sem fato. Atento o meu grupo de idade é-me sempre permitida a utilização do mesmo, o que se torna uma vantagem, tanto mais que, neste ano, a água não estava assim tão quente. O vento forte criava uma corrente estranha no rio, mas a coisa lá se completou sem grande novidade.


Gosto muito do segmento de ciclismo de Sevilha. Ondulado e exigente. Desta vez, muitíssimo exigente devido ao vento forte que soprava. Mesmo assim, consegui recuperar 100 posições desde a saída da água até ao início da corrida. Infelizmente, os meus pés ainda apresentavam escoriações do Half de Setúbal e, na tentativa dos proteger, perdi demasiado tempo na primeira transição.

A corrida final não foi grande coisa. Sei que não tenho treinado corrida o suficiente, devido a uma lesão no pé, mas, mesmo assim, contava ter feito melhor. Uma quebra nos últimos 6Km fizeram-me baixar o ritmo e perder algumas posições.

Tirei cerca de 1' ao tempo do ano passado. O que ganhei na natação piorei na corrida. O ciclismo foi bom considerando a dificuldade imposta pelo vento.

Posição 79 da geral com 4h55', em cerca de 700 atletas à partida. Desconheço como me posicionei no escalão, uma vez que o mesmo apenas considerava atletas andaluzes, já que a prova era Campeonato Andaluz de Longa Distância.

A seguir, no que ao Triatlo diz respeito, no início de Junho estaremos no Sabugal.

Foto: Rita Ramos




quinta-feira, 13 de abril de 2017

Supremo

Já tinha saudades da Specialized Transition
Supremo é a palavra que tenho para qualificar o I Triatlo Longo de Setúbal. Uma organização exemplar da HMS Sports que, desde da comunicação aos detalhes da competição, desde os abastecimentos à cerimónia de pódio, esteve perfeita e colocou a fasquia muita alta no que respeita a este tipo de eventos. Parabéns!

Uma semana após Quarteira e um dia depois do Torneio de Masters do Sport Algés e Dafundo em natação, lá estava eu à partida, num dia que parecia de encomenda. Sem expectativas por aí além. Apenas encaixar bem o primeiro longo da época.


A natação decorreu na praia de Albarquel. Nunca fui muito clarividente a analisar as condições do mar e esta vez não foi excepção. Parti da zona mais afastada da praia, eventualmente aquela onde a corrente mais se fazia sentir. De qualquer forma, assim fugi à confusão e consegui nadar quase sem contacto. Nadei confortável, para 37', que dadas as condições não foi, de todo, um mau registo.

Na parte inicial do segmento de ciclismo não tive boas sensações. Estava pouco fluído e desconfortável. Como se não bastasse, logo nas primeiras lombas da Av. Luísa Tody o suporte dos bidões de água desapertou-se e perdi um deles. O outro ficou posicionado de tal forma que, para o alcançar quase de tinha de fazer um número de circo em cima da bicicleta... Começávamos bem...

Só cerca do Km 45 consegui pedalar de forma confortável e andar qualquer coisa de jeito. Contudo, sempre preocupado com a hidratação, pois mesmo apanhando os abastecimentos da organização não tinha como os transportar. Antevia que esta falha se fosse reflectir na corrida final, mas eram estas as condições e era assim que teria das superar. Só pensava: - Antes agora do que no Ironman...

O segmento de ciclismo caminhava para o final. Com duas idas perto do Portinho da Arrábida, mais um retorno na Mitrena e outro no Alto da Guerra. Era exigente, mas a paisagem arrasadora!


Pódio montado junto ao Auditório Zeca Afonso
Pés no chão e transição para a corrida. Cometo então o erro do dia: olhei para as meias que tinha no saco de transição e pensei: - Nahhhh. Hoje não preciso disto! - E lá arranquei com um ritmo simpático, ali entre os 4'05"/Km e os 4'10"/Km.

Corria solto e confortável. Alimentava-me e hidratava-me e tudo parecia bem encaminhado. Mas lentamente começo a sentir algum incómodo nos pés, que minutos depois já era uma dor instalada. A água com que me refrescava fazia correr o sal da transpiração para os ténis... Parecia que tinha folha de lixa dentro de cada um deles. Ambos com feridas em vários locais. Mas agora era aguentar até final e não pensar muito no caso. O ritmo quebrava um pouco mas a metade da corrida estava cumprida. Estava quase!

As reservas ainda deram para uma discussão da chegada ao sprint e para terminar em 39º de 400 atletas, com o registo de 4h58'38", tendo sido 3º V3 e assim alcançado o meu primeiro pódio no escalão.

Agora, sarar as feridas e olhar para a Andaluzia. O Half de Sevilha é para a semana!

Fotos:
Unspotdesign Branding Desportivo
Paulo Lamego

terça-feira, 4 de abril de 2017

A estreia em V3

Domingo foi dia de iniciar a época de triatlo 2017. E num novo escalão - Veteranos 3, ou seja os jovens que no ano de 2017 completam entre 50 a 54 anos de idade.

Sem grandes expectativas competitivas a prova servia, apenas e só, para marcar o regresso à competição com as sensações tão próprias da modalidade, num dia primaveril de excelência.


O posicionamento que adoptei à partida não foi o melhor e, até à primeira bóia andei a nadar no meio da confusão, algo que, de todo, não aprecio. Logo que me consegui desenvencilhar da situação consegui impôr um bom ritmo - considerando o que é um bom ritmo para mim, e que deu cerca de 13'30" à saída dos 750m na água.

No ciclismo queria andar forte e ter alguém no grupo com quem pudesse partilhar o esforço, na expectativa de poder apanhar o grupo da frente. Infelizmente a malta do Triatlo não aborda esta estratégia da melhor forma, preferindo gastar cartuchos a fazer ataques híbridos, que em nada resultam, do que manter andamentos mais sólidos e constantes, colaborando a puxar à vez.

Posto isto, o segmento que mais me apoquentava. O calcâneo continua a dar trabalho pelo que tenho reduzido bastante o investimento na corrida. A coisa acabou por superar as minhas expectativas com um registo na casa dos 3'53"/Km. Nada de brilhante mas, atentas as circunstâncias, acabei por ficar satisfeito.

No final 110ª posição absoluta com um amargo 4º lugar no escalão V3, mas a quase 1' do pódio. Portanto, fora dessa discussão. Mas, o meu foco é no mês de Setembro e até lá ainda há 5 meses pela frente para potenciar o que tem de ser potenciado.

No Domingo estarei no Half de Setúbal depois de na véspera ir nadar no Torneio Master do Sport Algés e Dafundo.