terça-feira, 16 de outubro de 2018

Aloha

Passaram 40 anos desde que alguém se lembrou de juntar, numa prova só, 3,8 Km de natação, 180 Km de ciclismo e 42,195 Km de corrida, num evento realizado numa ilha do Pacífico Norte, longe de tudo e de quase todos.


Na Ali'i Drive com cerca de 10Km de corrida
Seguramente, nessa altura ninguém ousaria imaginar que aquele seria agora o maior evento de Triatlo realizado à escala planetária, onde milhares de atletas sonham um dia competir, depois de obterem a desejada slot, numa das provas de qualificação que semanalmente se realizam por esse mundo fora.


Em Setembro de 2018, no País de Gales, obtive a qualificação para o Ironman Hawaii e, assim, tive o privilégio de rumar à Big Island do Hawaii onde estive na semana que antecedeu a prova.

O ambiente que ali se vive nessa semana é indescritível. Só mesmo partilhando a comunhão de interesses que ali está instalada, para sentir toda aquela vibração, num local fortemente marcado por uma cultura muito diferente da maioria das que conhecemos. Só vos posso dizer: adorei e quero voltar!

Não sou de stressar nos momentos importantes. Mas, confesso que fiquei fortemente irritado quando acordei com um torcícolo na manhã da prova. Já não basta ser fraco nadador, como a prova ser sem fato e, mais ainda, uma coisa daquelas.


Celebrando com os amigos
O segmento de natação foi no limite das piores expectativas. A partida foi tranquila e sem confusão, mas as dores eram bastante limitativas. Só queria mesmo sair dali o mais depressa possível, o que aconteceu 1h21 depois do tiro do canhão de partida.

O desconforto também imperava no ciclismo. Nem conseguia rodar o pescoço para olhar quando fazia ultrapassagens, mas a coisa - os 180 Km, lá se fez em cerca de 5h16', com média de 34 Km/h, mas sempre a pensar na corrida final.

O último segmento não é de todo fácil. Especialmente na zona do Energy Lab, perto do Km 30,com aquela ligeira mas longa subida. Apesar disso, consegui uma boa estratégia de arrefecimento corporal e assim correr de forma bastante consistente, finalmente sem incómodo.

Acabei por fazer em Kona o meu melhor tempo na distância Ironman 10h27'24". Portanto, e tratando-se da prova que é, será talvez um pouco estúpido da minha parte ficar com um pequeno amargo de boca, mas a verdade é que tinha colocado a minha fasquia um nadinha mais alta.

O nível da competição é altíssimo. Tanto ao nível desportivo, como ao nível das bicicletas em prova, como do acompanhamento técnico dos atletas. Estiveram presentes nomes sonantes do desporto mundial como os ex-ciclistas Laurent Jalabert (da minha idade, campeão do mundo de contra-relógio e vencedor da Vuelta) ou Alexander Vinokourov (campeão olímpico); um ex-campeão mundial de Body Board (brasileiro do qual não retive o nome). Até mesmo o sangue azul marcou presença e com excelente prestação: https://www.facebook.com/nasser13hamad13/ que é só o dono da Bahrein Merida.

Diz também quem disto sabe, que esta foi a edição mais bafejada pela generosidade da meteorologia em 40 anos de Ironman. Talvez por isso, a taxa de abandonos foi a mais baixa de sempre. 

Os americanos têm jeito para vender produtos sob a forma de sonhos.



terça-feira, 11 de setembro de 2018

Quase lá...

Faltam menos de 5 semanas para a grande competição desta época desportiva: o Ironman Hawaii. Optei por competir pouco durante esta época privilegiando os momento de treino e os estágios de ciclismo na região centro.

As minhas duas últimas competições foram o Triatlo de Oeiras, na distância Sprint e o Half do Douro, prova que atribuía os títulos de campeão nacional de média distância.

Oeiras acabou por ser uma prova sem grande história mas com uma boa dose de intensidade.

Já no Douro as coisas foram diferentes. A começar pelo traçado da prova que deixou de contemplar a subida a Lamego e a corrida naquela cidade. Agora, totalmente em Peso da Régua e nas margens do rio Douro, o belo rio Douro.





A natação foi dentro do registo habitual. Uma natação em água doce e com corrente é sempre um pouco mais lenta. Os 90Km de ciclismo foram cumpridos a uma média de 37Km/h, com a preocupação de manter a intensidade dentro da zona alvo. As coisas até corriam bem e, no início deste segmento, era o segundo do agegroup [50-54].

Contudo, após alguns metros percebi o quão desgastado estava. A corrida não tinha fluidez alguma e a fadiga muscular geral era enorme. Havia que escolher de entre encostar logo ali, ou concluir a prova. Optei pela segunda opção, em nítido modo de sobrevivência e sem me preocupar com o relógio. A coisa estava tão complicada que nos últimos quilómetros tive, pela primeira vez na minha vida, cãibras! Pasme-se!

Corri (sobrevivi) num registo miserável de 2h03 e acabei a prova como quarto do agegroup [50-54].


A esta situação não terá sido alheia a carga de treino em Agosto. Não pelos seus valores absolutos mas, sobretudo, pelas condições em que foi administrada. Um fim-de-semana na Serra da Estrela onde os termómetros marcavam 35ºC na Torre, aos 2000m de altitude; no fim-de-semana seguinte 100 Milhas na serra algarvia; e no outro depois, repeti a solo o trajecto do GrandFondo Algarve 2018, com bicicleta TT e com temperaturas muito elevadas. Em suma, cheguei bem espremido para competir no Douro.


Mas nestas questões há que ser muito pragmático. Se queremos ser bem sucedidos na abordagem ao nosso objectivo, não podemos gastar cartuchos noutras ocasiões.

A próxima e última do ano será a 13 de Outubro na Big Island do Hawaii: Kona!



segunda-feira, 21 de maio de 2018

Viseu Triathlon


Segunda prova da época. Mais um passo na direcção do Kailua Pier, em Kona.

O Viseu Triathlon despertou o meu interesse por ser uma prova sem roda e pela distância pouco usual: (2; 60; 15)Km, formato em que nunca havia competido e que parecia interessante para treinar em ambiente de competição.

Era também uma prova simples - sem cronometragem electrónica, mas, as coisas simples são, muitas vezes, fantásticas. Um evento recheado de atenção para com os atletas, envolvimento dos voluntários e das forças de segurança no controlo do tráfego. 


A Barragem de Fagilde foi o local escolhido para as duas voltas de natação. Local muito aprazível, água a 21ºC. Natação muito tranquila cumprida em cerca de 37'.

O segmento de ciclismo ligava a dita barragem a Viseu. Em linha recta serão cerca de 10Km, mas o percurso traçado levava-nos, inicialmente, para o lado oposto, para Mangualde. Depois rumava a sul até perto de Canas de Senhorim, passando na preciosa localidade de Caldas de S. Gemil, retornando daí a Viseu. Percurso exigente, com subidas longas, zonas técnicas, empedrado, bom piso, piso menos bom... havia de tudo. Cumpri-o com média superior a 31 Km/h o puxar quase todos os Watt disponíveis.


Por fim, o segmento de 15Km de corrida, com 6 voltas no Parque Radial de Santiago, em Viseu. Percurso recheado de curvas que aumentava significativamente a sua dificuldade e no qual tive alguma quebra, resultante da intensidade colocada durante o ciclismo.


Acabei em 19º da geral (entre 146 atletas) vencendo o AG 50-54. Um primeiro lugar que não acontecia desde o Triatlo do Fundão em 2007.

Uma prova para pensar repetir em 2019.

Fotos de Viseu Triathlon, António Fernandes e Teresa Cardoso

#tachapim #campingoleiros #speedo #em3



segunda-feira, 9 de abril de 2018

Setúbal Triathlon

Ontem foi dia de Setúbal. Dia de Triatlo, o primeiro da época 2018.

Uma organização que em 2017 tinha colocado a fasquia a um nível muito alto mas que,pelo que conhecemos em 2018 a iria tentar superar. E superou. A prova está cada vez melhor e ao nível daquilo que de melhor conheço. Parabéns!

Speedo Xenon - ferramenta para o segmento de natação
Era a minha primeira prova da época. De uma época cujo principal objectivo está assestado em Outubro, no Hawaii. Portanto, e apesar de andar, obviamente, a treinar, distante do meu melhor nível competitivo.


A natação foi uma agradável surpresa - tirei cerca de 3' ao tempo obtido em 2017, num percurso em que os 1900m eram cumpridos em apenas uma volta, onde não senti qualquer dificuldade e onde julgo ter nadado de forma descontraída, apesar da temperatura fria da água: 14,7 C.

A primeira transição foi algo miserável. As mãos frias não colaboravam a calçar as meias e essas eram um acessório de que não iria prescindir depois de, sem elas, ter destruído os pés na edição anterior.

Do segmento de ciclismo esperava um pouco mais. Senti alguma fadiga, a qual foi impeditiva de impor os níveis de potência pretendidos e de alcançar registos de melhor qualidade. Creio ter ficado patente a falta de volume na estrada, durante o mês de Março, muito devido ao mau tempo que nos tem assolado e impedido de nos afastarmos do treino indoorMesmo assim, dentro do prescrito pelo treinador...:-D

Chegava então acorrida final. Procurei desde logo encontrar o meu ritmo, talvez algo ambicioso, mas que seria rondar os 4'00/Km. Foi possível na primeira metade da prova. Na segunda houve uma quebra de cerca de 20" em cada quilómetro, situação que acabou por condicionar a minha classificação final.

No entanto, satisfeito com o resultado: 55º à geral, com 04:57:14, o que deu o 3º lugar do pódio do escalão V3.

* Estreei na prova um novo fato isotérmico: Speedo Xenon. De um conforto extremo. Parece que vamos a nadar sem fato tal é a facilidade de movimentação dos ombros. E apesar da temperatura da água ser de 14,7 C estive sempre confortável. À venda aqui.



segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

São Silvestre da Amadora

Para manter a tradição de fim-de-ano corri, uma vez mais, a prova da Amadora.
Depois de 3 dias de treino exigente - entre natação, corrida e ciclismo, com uma manhã de ciclismo intensa, longa e molhada, as pernas não apresentavam a frescura desejada para abordar uma competição deste nível.

Assim, o objectivo passava por fazer uma corrida tão rápida quanto possível sem, no entanto, me exceder para situações que pudessem provocar algum tipo de lesão. Atentos estes factos penso que foi uma prestação bem conseguida, a bater nos 4'00"/Km num percurso exigente como é o da Amadora.

É verdade que já corri provas de 10Km bem mais depressa. Inclusive na Amadora. Mas também é verdade que esta não é a distância para a qual me estou a preparar, nem, tão pouco, o momento para estar em forma.

Da prova apenas posso dizer que a organização da HMS Sport guindou a coisa para outro nível e qualidade. O percurso, também renovado, parece-me mais interessante, com opção por vias mais largas e melhor iluminadas, factor sempre importante quando se corre à noite e é aconselhável saber onde se colocam os pés.

Fica a vista aérea do meu desempenho, nas últimas horas do Ano de 2017... desportivamente falando, um excelente ano. :-)

Relive 'Corrida vespertina'