sábado, 2 de novembro de 2019

Resumo da época 2019

Triatlo David Vaz - Fundão. Mais que uma prova, uma homenagem. 
Com o Ironman Wales concluí, no passado dia 15 de Setembro, a minha época 2019. Foi uma época bastante positiva a que terá apenas faltado a apetecida slot para o IM Hawaii 2020, a qual escapou por escassos segundos.

Iniciei a época no dia 05 de Novembro e, durante 10 meses, treinei mais de 450 vezes. Como se constata da análise do quadro infra, 61% do tempo foi gasto sobre a bicicleta. O restante foi dividido entre a natação - 26% e a corrida - 13%.

No ciclismo fiz, por 4 vezes, treinos com distância superior a 200Km. Aquilo que denominámos Epic Rides: Tróia - Sagres (202 Km); Terrugem - Ervedal (212 Km); Estremoz - Portalegre - Estremoz (212 Km); Reguengos - Barrancos - Reguengos (202Km).



Os momentos competitivos foram 7, dos quais dois aconteceram fora de Portugal - Espanha e País de Gales:
  • Setúbal Triathlon
  • 70.3 Marbella
  • Sprint de Oeiras
  • Viseu Triathlon
  • Triatlo David Vaz - Fundão
  • Douro Triathlon
  • Ironman Wales
Viseu Triathlon. Traçado exigente numa distância desafiante (2;60;15)Km
Nestas competições alcancei o pódio em Setúbal (2º), Oeiras (3º), Fundão e Douro (2º), tendo com isto sido 3º classificado no Campeonato Nacional de Triatlo AG [50-54] e vice-campeão nacional de Triatlo Médio no mesmo grupo de idade.



Em Marbella obtive o 5º lugar no Agegroup, algo que me deu acesso à slot para o Campeonato do Mundo de 70.3,que se disputou, em Setembro, em Nice - França. No entanto, atento o facto desta competição se realizar na semana anterior ao IM Wales, com todo o impacto que isso acarretaria - físico, logístico e financeiro, decidi prescindir da mesma.

O foco principal da época 2019 era o Ironman Wales. Um local que gosto, com um público inesquecível e um percurso que na minha opinião, se me encaixa na perfeição. Cheguei bastante bem preparado à competição mas, acredito, não ter suficientemente competente na gestão da mesma. Paguei os erros cometidos durante o segmento de ciclismo na corrida final, que ficou aquém, bastante aquém, do que já ali havia produzido, num dia muito mais difícil.

Mesmo mal, marquei o 5º melhor registo do dia neste segmento, contudo insuficiente para cobrir a diferença de 2'17" para o pódio - que assegurava a slot, e de 12" para o quarto lugar que também acabou por a dar.

Setúbal Triathlon. Do melhor que existe!
Só posso estar satisfeito com tudo isto. Afinal é um privilégio poder estar na linha de partida destas competições e tentar, em cada uma delas, fazer o melhor possível. O resto depende também dos adversários ou de factores extrínsecos à competição, como sejam furos ou avarias.

Após algumas semanas de descanso com bastante BTT pelo meio, o treino regressa já no próximo dia 4. Serão 11 meses de caminho até ao grande objectivo da época: Ironman Emilia-Romagna, Itália. Pelo caminho haverá outras competições, sendo que a primeira está agendada para Setúbal e para a magnífica Arrábida, em Abril.


quinta-feira, 19 de setembro de 2019

IM Wales, pela terceira vez!


Já se percebeu! Gosto muito do IM Wales e já fui imensamente feliz em Tenby. Assim, no passado Domingo, competi lá uma vez mais. A minha terceira vez em Gales.



Foi, provavelmente, a vez em que melhor preparado me sentia para competir na distância. Talvez por isso cometi alguns erros que vieram a comprometer uma melhor prestação.O segmento de natação correu bastante bem. Estava comprido e fiz cerca 4,2 Km. Não foi devido a má navegação, pois andei bem em linha recta, e esta diferença aconteceu a todos os atletas com quem falei após a prova. Nadei para 1h11, o que teria correspondido a cerca de 1h04 em 3.800m, o que seria a minha melhor marca de sempre na distância. Nadei no primeiro quarto do pelotão e acredito que o investimento na natação feito no último ano valeu a pena.



O ciclismo é, como se sabe, bastante exigente em Wales. Fiz o 9º tempo do Agegroup com 5h55, a uma média de 30Km/h. Nada mau.



Ainda perto do Km30, um susto. Um grito atrás de mim, uma sensação de deslocação de ar juntos às costas e o som seco de uma pancada. Isto aconteceu junto a uma placa amarela, de grande dimensão, a dizer "NARROW" (estreito) que assinalava a passagem numa ponte de pedra bastante estreita, após uma descida muito rápida. Soube, mais tarde, pelo Paulo Lamego, que vinha pouco atrás de mim e assistiu à cena, que outro atleta havia tentado ultrapassar-me ali e acabou por destruir a clavícula, o capacete e a face contra o muro de pedra da ponte. Não percebo o que leva alguns a arriscar a sua (e dos outros) segurança desta forma, numa prova que vai durar tantas horas... O Lamego acabou a ficar a dar-lhe assistência até à chegada da organização.




Na parte final do segmento senti fome. - Já foste! - pensei. Cheguei à T2 algo agastado e comecei a correr sonhando com o primeiro abastecimento. Engoli 4 copos de Coca-Cola e um punhado de gomas. Souberam-me pela vida e lá comecei a correr um pouco melhor.



Apesar do cardio muito confortável as pernas estavam desligadas. No entanto, estava consistente e decidi ir o mais forte possível, na esperança que houvesse quebras à minha frente. A volta e meia do fim o Coach Conde fez o ponto de situação. Possibilidade de 5º, talvez 4º... Arrisca! E assim fiz... as pernas a doer como nunca e o mais depressa que consegui. 3h45'... quase 20' mais do que em 2017.



Cheguei ao 4º lugar que, no entanto, logo seria actualizado para 5º, por escassos 12", devido ao rolling start, pois o atleta que chegou atrás tinha partido algum tempo depois de mim.

No final: 5º do Agegroup [50-54]; 125º absoluto. 1h11'31" na natação; 5h55'46" no ciclismo; 3h45'37" na corrida. Final 11h10'05.

Slots para os três primeiros. Com o Rolling Down chegou ao 4º. Portanto, fiquei a 12" do Hawaii 2020. Faz parte... :-)

Em 2020 haverá mais!

terça-feira, 23 de julho de 2019

Epic ride #4

Este fim-de-semana foi dedicado a mais uma Epic Ride, forma carinhosa como chamamos a um treino de ciclismo com mais de 200Km. Desde o início da operação Wales 2019, foi já a quarta vez em que a cifra dos 200Km foi ultrapassada:

  • Tróia - Sagres (202 Km)
  • Terrugem - Ervedal (212 Km)
  • Estremoz - Portalegre - Estremoz (212 Km)
  • Reguengos - Barrancos - Reguengos (202Km), desta vez a solo


Splash! Partida para os 200 Estilos
Aproveitando a participação no Open de natação Master, em Reguengos, guardei o Domingo para um treino rijo de ciclismo. Longo e com algumas tarefas de intensidade pelo meio, que o calor, vento e solidão tornaram ainda mais exigente.

Nos dois dia anteriores ao Epic Ride nadei 6 provas de natação: 800L, 400L, 200L, 200E, 200B e 100B. Todas próximas dos meus registos habituais, contudo sem lograr melhorar qualquer dos meus recordes naquelas distâncias.

Para fugir ao calor alentejano, iniciei o treino cerca das 6h30 da manhã. Estradas alentejanas em bom estado na maior parte dos casos, com o seu ondulado característico. Reguengos, Amieira e Alqueva onde passei sobre o paredão da barragem. Cheguei a Moura. Confesso que a dimensão da terra me surpreendeu e fiquei com vontade de a conhecer melhor. Fica para uma próxima oportunidade, seguramente.



Feito! Pese embora o percurso de Costas não ter sido grande coisa.
O objectivo desta vez era outro. Pias e Vila Verde de Ficalho de seguida, onde parei para o meu primeiro reabastecimento do dia, ao Km 86, paredes meias com Espanha. Depois cerca de 22Km até Safara, pela excelente N385, altura onde encontrei uma placa com a indicação "Barrancos - 26Km.

Foram 26Km de isolamento total. Passei uma motoreta a descer que me devolveu a ultrapassagem já a subir para Barrancos, presenteando-me com uma agradável nuvem de fumo de escape. Foi o único humano avistado durante aquele troço. De resto, apenas aves de rapina de porte considerável e momentos de instropecção: o que levará alguém a andar mais de 6 horas a pedalar sozinho pelo infindável Alentejo?

Monsaraz: se nunca lá foram, vão!
Barrancos faz jus ao nome. Mais parece terreno da Beira, do que do alentejano. Fica ali, encastrada num pedaço de terra que entra pelo território espanhol adentro... Pelo que li, teve, outrora, grande importância estratégica.

Barrancos era das poucas áreas do território nacional em que nunca havia estado, pelo que cumpri o meu desejo. Realizei lá o segundo reabastecimento do dia, com 133Km.

O resto do caminho teve pouco de interessante. Apenas o reencontro com o Alqueva e com a localidade de Mourão - onde efectuei o último reabastecimento, e passagem no sopé de Monsaraz - uma localidade imperdível. O vento e o calor, associado a uma humidade estranha, subiam de intensidade mas a coisa estava prestes a terminar.

As sensações foram excelentes e foi colocado mais um tijolo no edifício Wales 2019. 


segunda-feira, 8 de julho de 2019

Triatlo David Vaz | Fundão

Metros finais do III Triatlo David Vaz
Não é fácil para mim escrever sobre esta prova. Gostava que ela não existisse. Isso significaria que o David ainda estava connosco. Mas, ainda bem que existe. Se alguém merece ser recordado e homenageado é o David. Foi bom poder participar nela, pela memória de um grande amigo e de uma excelente pessoa.


Com o inevitável Jorge Calafate e o João Nunes




No que respeita aos factos desportivos a partida aconteceu pelas 11h15', no excelente plano de água que é a Barragem da Marateca. Duas voltas para perfazer os 1.500m do segmento de natação. A temperatura da água, a 26ºC, interditava a utilização de fato isotérmico o que, em água doce, dificulta um pouco mais o processo aos menos bons nadadores. Mesmo assim, lá cumpri a distância em menos de 30'.


O segmento de ciclismo é fantástico e exigente. Um segmento inicial ondulado e muito rápido, precedido da ascensão da Serra da Gardunha, para, finalmente, descermos para o Fundão. Prova "draft illegal", feita portanto com a bicicleta TT. O objectivo era andar a fundo neste segmento, o que vim a conseguir com média de 34Km/h.

Álvaro



A corrida final nada tinha de fácil pois, os 10Km eram, também eles, algo ondulados. Gastei cerca de 41'30" para os concluir e terminar a prova em 2h26'31", 33º da geral e 2º do grupo de idade [50-54]. Objectivos cumpridos.

Faltam agora 10 semanas para o Ironman Wales, o objectivo da época. Até lá, no que a competições diz respeito, apenas o Half do Douro.





Fotos Miguel Dassilva, Susana Figueiredo, António Calafate

terça-feira, 28 de maio de 2019

Viseu - entre Vouga e Dão

Descida rápida em direcção a Viseu
O ano passado fiz o Viseu Triathlon. Gostei e este ano repeti. Terei transmitido uma opinião tão positiva do evento que, comigo vieram mais sete companheiros de equipa do Sport Algés e Dafundo.

Xavier, jovem triatleta de Viseu em acção de voluntariado
A prova é sem drafting e tem uma distância incomum: 2 Km a nadar; 60 Km de bicicleta; 15 Km de corrida. Esta é, na minha opinião, uma das suas mais-valias pois, não só permite uma experiência competitiva aproximada a distâncias superiores, com menos impacto físico, como, ao mesmo tempo, funciona como entrada para aqueles que pretendem iniciar-se na longa distância.

Tudo foi diferente este ano. A natação na barragem de Calde, um local bastante bonito também, e com a água a uma temperatura simpática. Não aprecio nadar em água doce e o meu desempenho ficou um pouco aquém daquilo que foram os últimos desempenhos neste segmento. Gastei cerca de 34' para cumprir uns 2000 m, que estavam algo curtos.

A escassos metros da meta
O segmento de ciclismo tinha 60Km. Um troço de ligação entre a barragem e o percurso principal que ligava o aeródromo à cidade de Viseu, e que se cumpria por duas vezes. Era bastante selectivo e do meu agrado. Foi realizado a cerca de 35 Km/h de média, o que deu pouco menos de 1h45'.

Por fim, a corrida em pleno parque urbano, bem no coração da cidade. Contava ter feito melhor mas era impossível ter andado mais depressa. 15,3 Km cumpridos em cerca de 1h07'.
Maia, Carmo, Serôdio, Machado, Rita - alguns dos algesinos presentes

No final 3h29'07" e 18º da geral. Não havia classificação por escalões, mas fui o segundo [50-54].

Com esta prova concluí o primeiro período competitivo da minha época 2019, definido em conjunto como meu treinador Paulo Conde. Fica a faltar a segunda parte, com o teste no Half do Douro e o grande objectivo do ano, o Ironman Wales, em meados de Setembro. Até lá ainda haverá muito suor para derramar.



Próximo: Triatlo do Douro.

Fotos: Viseu Triathlon e Rita Ramos



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