quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Trabalho de equipa!

É aqui onde se nada... com a maré cheia
Não fazemos nada sozinhos! Cada vez mais as coisas dependem do trabalho de equipa e da confiança e cumplicidade entre os elementos dessa equipa. Foi assim comigo e com o Paulo Conde e isso permitiu-nos esta conquista.
Havia gostado tanto do Ironman Wales que, este ano, decidi voltar. Gosto do local, do ambiente e das pessoas. Gosto do local abrigado onde se nada, gosto do desafiante percurso de ciclismo e do exigente segmento de corrida.


Saundersfoot... Com 22%
O clima... bem... temos mesmo de falar sobre isso? O clima é britânico e, por isso, o tempo pode ser qualquer coisa. Desta vez, o dia de prova foi dia de temporal, com chuva e vento forte, a rondar os 50 Km/h. Um mimo para as rodas de perfil alto.

O dia começo cedou. Começa sempre cedo no Ironman. Cerca das 07h00, depois de cantado o hino galês na praia, com uma moldura humana impressionante, foi dada a partida. Mar calmo, água a bater nos 18ºC e sem chuva. Na segunda volta o mar ficou um pouco alteroso, mas sem dificuldades de maior. Havia partido na zona da 1h00. O segmento foi um pouco longo - 4.000m e acabei com cerca de 1h09.
A transição em Wales é longa. Tem 1Km de corrida, facto pelo qual é permitida a utilização de sapatilhas no mesmo. Cumprida a transição em 15 longos minutos lá me fiz à estrada, a encaixar o ritmo e a esconder-me do vento frontal que nos acompanharia nos primeiros 30Km.

Foi nessa altura, na zona costeira e desabrigada de Angle que começou a chover. Chuva essa que se manteve, quase em permanência, até final do segmento. Pelo meio o rompe pernas característico da região e a passagem em alguns troços de estreitas estradas rurais, com rajadas a surgir de entre as quebras entre muros. Épico!

Não vale a pena gastar energia a lutar contra o vento. Optei por adoptar um pedaleio tranquilo no limite superior da minha zona competitiva, na expectativa de chegar saudável para poder correr decentemente.

E assim acabou por acontecer. Rapidamente percebi que estava confortável a correr e apenas controlava o regime cardíaco nas zonas de subida, para não entrar em abusos. Ia em bom ritmo e ganhando posição atrás de posição. Aliás, acabaria por realizar a melhor corrida do meu escalão.


À entrada da última volta veio a informação: se mantivesse o ritmo a slot estava garantida e o pódio à espreita. E assim foi. Deu mesmo para abrandar nos 2Km finais, uma vez que as diferenças de tempo não davam azo a preocupações, tanto para a frente, como para trás.

Em suma, uma prova bem conseguida e um objectivo alcançado. Ou mesmo superado, porque, para além da dita slot, não é todos os dias que se consegue um pódio numa prova do circuito Ironman.





Registo final: 2º do Agegroup [50-54], 131º da Geral
  • Natação: 01:09:07 (27º do Escalão)
  • Ciclismo: 06:12:21 (7º do Escalão)
  • Corrida: 03:26:35 (1º do Escalão)
  • Final: 11:07:06 (2º do Escalão)
Não vivia com a obsessão de ganhar uma slot para o IM Hawaii. Mas, não nego que tinha o desejo de um dia o conseguir. Foi no Domingo passado, numa prova que gosto muito, com os meus amigos presentes, debaixo de difíceis condições. Estou contente!

Fotos do João Serôdio

  






segunda-feira, 17 de julho de 2017

Satisfeito!

 
Ontem foi dia de Triatlo de Oeiras. Ou, por outras palavras, foi dia de aligeirar a carga que tenho aplicado nos últimos tempos...

O Triatlo de Oeiras é uma das provas mais antigas do calendário nacional. Talvez por isso, e pela proximidade de casa será, porventura, a prova em que mais vezes competi. Ainda me lembro de, há uns bons anos, ser dos últimos a sair da água, envergando um discreto fato de jet-ski amarelo...

Sempre considerei o triatlo de Oeiras uma prova para nadadores na qual, por esse motivo, nunca teria grandes hipóteses. Apesar desse julgamento, já lá consegui subir ao pódio algumas vezes, e ontem foi mais um desses dias, com a segunda posição no escalão V3.


Logo me calço...
Mais do que a satisfação pela classificação, a satisfação pela prestação, apesar de bem carregado, sobretudo no dia anterior.



O dia começou pelas 06h00 da manhã, pois decidi ir de bicicleta para o local da prova. Check-in e preparativos feitos com a maior das calmas, aquecimento na água e assistir à partida feminina, 10' antes da nossa.

Verificava-se alguma corrente que puxava no sentido do forte. Por isso mesmo decidi partir o mais à esquerda possível, com a trajectória bem aberta. Talvez a tenha aberto em demasia mas, mesmo fazendo mais uns quantos metros, nadei tranquilo e a influência da corrente foi positiva, num dos meus melhores registos de sempre 11'30".


corrida final
Ia com ganas de fazer o ciclismo a fundo e sempre na frente do grupo a puxar. Fi-lo, para aí até alcançar o 3º grupo que seguia à minha frente. Depois, apesar de andar sempre pelos lugares da frente acabei por ir dividindo as despesas com outros atletas. O melhor registo de sempre em Oeiras, com média de 40,6Km/h.

A corrida final foi a possível face às circunstâncias. Já houve dias melhores. Ontem não deu para melhor do que 3'50"/Km e não deu para acompanhar o meu amigo e colega de equipa Paulo Lamego. Espero que dê para em Wales fazer uma boa maratona!



Pódio V3
No final, 95º absoluto em 415 atletas, 2º V3 com 1h04'15".

Próximo: Half de Lamego. E quinze dias depois... IM Wales!

Fotos da Rita Ramos, do João Silva e da Clarisse Henriques




sábado, 1 de julho de 2017

De novo no Pinhal Central


Desta vez não escrevo muito. Os trajectos do treino estavam definidos. Passavam por Góis, por Castanheira de Pêra e por Pedrógão Grande. A tragédia assolou a região no fim-de-semana anterior. Em dúvida até quase ao dia, acabámos por manter a actividade, ainda que com alteração dos percursos.

Sábado
  • Treino de natação em águas abertas, na albufeira de Castelo de Bode, entre as margens do Trízio e Rio Fundeiro.
  • À tarde treino regenerativo de ciclismo, com o que quer que isso signifique quando andamos a trepar rampas de 13% e acabamos na subida de Cambas.
Domingo
  • 128Km de rompe-pernas a Nordeste de Oleiros. O video ilustra porque é esta a melhor zona do país para pedalar...

terça-feira, 6 de junho de 2017

Longínqua, agreste, mas fantástica

Falo do Sabugal, cidade do Distrito da Guarda bem juntinho à Serra da Malcata que, no passado fim-de-semana recebeu uma jornada dupla de triatlo. No Sábado, prova na distância Olímpica (1,5; 40; 10) Km, no Domingo, tempo para uma daquelas que deixa a boca a saber a sangue, de tão rápida que é (0,3; 10; 2) Km.

Início do segmento de ciclismo com o João Serôdio
Apesar de ter iniciado o segmento de natação com alguma dificuldade, consegui encontrar um ritmo confortável e cumprir a distância em cerca de 27' a morder os calcanhares aos meus colegas de equipa.

Esta melhoria traduziu-se em ter conseguido fazer o segmento de ciclismo quase na íntegra com o meu colega de equipa Paulo Lamego e outro atleta do Sporting de Espinho. A parceria funcionou na perfeição e permitiu-nos cumprir os 40Km com média superior a 34Km/h. Excelente se considerarmos a orografia da zona, bem recortada.


A partilhar o pódio com o antigo atleta olímpico
de Pentatlo Moderno - Manuel Barroso
O segmento final seria sempre uma incógnita. Como reagiria eu à pouca carga que tenho colocado na corrida? Ainda que algo longe dos meus melhores desempenhos, geri da melhor forma e pude acabar com um registo de cerca de 41' mas, e este é o ganho maior, sem que as mazelas me tivesse apoquentado. A ver vamos se a coisa está bem encaminhada.

video
No Domingo integrei a estafeta de Veteranos, juntamente com o Silva e o Lamego, tendo ficado com o último percurso. Uma distância que não é de todo apropriada para atletas do nosso escalão etário, agravado pelo facto de treinarmos para distâncias muito superiores, disputadas a ritmos bem distintos. Éramos terceiros a escassos segundos do segundo lugar quando recebi a estafeta. Consegui ganhar essa posição durante o segmento de natação mas, fui mais lento na transição e aí comprometi, irremediavelmente, qualquer expectativa de lutar pela classificação. Comecei a correr com cerca de 200m de atraso, o que era impossível de recuperar em apenas 2Km. Assim, restou-me aconchegar um pouco o ritmo para uma toada confortável, apenas para cumprir a distância.

Em meados de Julho haverá mais. Será em Oeiras.

Fotos e videos da Rita Ramos, Ricardo Silva, Triatlo Portugal

terça-feira, 2 de maio de 2017

Beliscão no planeamento... por uma boa causa, chamada Estrelita!

Algures entre Gonçalo e Seixo Amarelo (Guarda)
Não era bem isto que tinha no meu planeamento. Mas, uma ida tão perto da grande serra não se pode desperdiçar e, como tal, lá fui limpar as pernas à Estrela.


Aproveitando uma deslocação à Guarda levei a bicicleta e dois tracks alternativos, porque a meteorologia não estava de todo favorável para brincadeiras na montanha. Assim, a minha primeira opção seria Guarda, Covilhã, Torre, Manteigas, Guarda, enquanto uma segunda hipótese rumava aos lados de Sortelha e Sabugal, em cotas mais baixas e, como tal, menos expostas.


Fonte Paulo Luís Martins
Verifiquei também que a minha capacidade de persuasão anda pelas ruas da amargura. Pois... Não consegui convencer uma alma que fosse para me fazer companhia e lá acabei por ir a solo.

Saí da Guarda com chuva, com frio, e com muito, muito vento. Pensei ir até Belmonte e, caso se mantivesse a intempérie voltaria à Guarda. O regresso seria a subir e logo aqueceria. Felizmente, quando cheguei a Belmonte, o sol espreitava. Sequei e continuei para o segundo objectivo: Covilhã. Mais uma vez pensei que, se estivesse mau no alto, regressaria pelo mesmo caminho.


Mas o sol raiava na Covilhã e, no alto, apesar das nuvens, a coisa não parecia assim tão agreste. Comecei a escalada para a Torre de forma tranquila. Tão tranquila como os meus andamentos 39*25 me permitiam. O vento fazia-se sentir cada vez mais e a cerca de 3Km das Penhas da Saúde uma rabanada quase me atirava ao chão. Como se não bastasse surgia o segundo furo do dia e o stock de câmaras de ar, de remendos e de bombas de CO2 estava nas últimas.


Acabei por remediar o furo. Tinha pneu mas com muito pouca pressão, o que aumentava a dificuldade de pedaleio. Mais, o vento estava frontal e fortíssimo e, para não destoar, as nuvens sobre a Torre tinham cor de chumbo. Pois... a Torre ficaria para outro dia. Conheço relativamente bem a serra e, se aos 1600m estava assim, aos 2000m seria um verdadeiro Inferno.

O vale glaciar do Zêzere

Desse modo, em Piornos virei de imediato para Manteigas e comecei a descida para o coração da Estrela de forma tranquila, pelo vento, pelo frio e pelo pneu dianteiro que não inspirava confiança. Foi sempre a descer até Vale de Sameiro, em estrada irrepreensível.

Virei na direcção de Gonçalo e de Seixo Amarelo, por estradas que não conhecia, mas que me encheram as medidas. Ausência de tráfego, pavimento impecável, vistas assombrosas.


Não foi exactamente o que tinha planeado para este treino. Mas, dadas as vicissitudes do dia, acabou por ser um excelente treino mental, na superação de todas as dificuldades que foram surgindo: o vento, a chuva, o frio, as avarias mecânicas. E o Ironman precisa tanto destas coisas... :-)