sábado, 30 de setembro de 2017

Números!

Aeroporto de Lisboa - Quando a Helena fugiu
para não ser vista acompanhando um tipo

com flores ao pescoço... :-) 
No passado dia 10 de Setembro, concluí em Tenby, País de Gales, o meu 4º Ironman. Depois de na minha segunda experiência - no Iberman, ter enfrentado condições extremas, com temperaturas a chegar aos 45Cº, desta vez houve que enfrentar chuva e vento, muito vento.
 
Contudo, tal não impediu que a prova me tivesse corrido bem. Tão bem que alcancei a segunda posição no meu Agegroup [50-54] e ganhei o almejado Slot para o Campeonato do Mundo Ironman 2018, em Kona, no Hawaii. Como gosto de dados e da sua análise, partilho alguns que considero interessantes.
 
A preparação oficial começou no dia 07 de Novembro de 2016. Fiz desde então 486 treinos durante os quais, aproximadamente, nadei 392Km, pedalei 8.865Km e corri 972Km.




Dados interessante sobre a prova

A dureza do prova galesa fica atestada pelo facto de só 85% daqueles que iniciaram a competição a terem concluído. Terminaram 1476 homens - 136 no meu Agegroup), tendo a minha marca 11h07'06" sido a 128ª - 2ª do Agegroup. Relevo para o segmento de corrida, onde fiz a melhor marca do Agegroup e a 60ª absoluta.
 

Coach Paulo Conde
À saída da água era 27º. Acabei o ciclismo na 10ª posição. E recuperei mais 8 lugares na corrida. Ao Km25 estava dentro da zona da slot, no Km 31,6 no pódio e no 35,4Km no segundo lugar, mas longe da liderança.

Pela primeira vez, em cerca de 20 anos de triatlo, competi com um agasalho. Sim, um casaco de ciclismo de meia-estação sobre o equipamento de competição e ainda umas biqueiras de neoprene sobre os sapatos de ciclismo. Optei também por gastar mais algum tempo na T1 e secar o tronco e vestir um top de competição seco. Estar o mais tempo possível confortável durante o ciclismo foi importante.







Fisioterapeuta Armando Jorge

Agradecimentos

Desde Agosto de 2014 que tenho andado com uma lesão no calcâneo que se afigura crónica. Depois de muitos médicos e de muitas tentativas terapêuticas, a solução veio através do Dr. João Paulo d'Almeida e do Fisioterapeuta Armando Jorge. Provavelmente, sem a ajuda deles não teria conseguido reunir as condições para correr como necessário e, sobretudo, para passar a linha de meta sem qualquer queixa. Fica o reconhecimento pela sua extrema competência e amizade.
 
Uma palavra especial para o Paulo Conde - Academia Ironconde, pela amizade e pelo planeamento do treino, que encaixou de forma perfeita no objectivo que havíamos delineado. Muito obrigado.

Melhor era impossível. O ponto alto de 2017, o objectivo da época, sempre foi o Ironman. Conseguimos não perder o foco com outras participações desportivas, que sempre considerámos como peças importantes no planeamento, mas secundárias enquanto resultado desportivo. Fiz o sprint de Quarteira - por sinal, a única prova onde não cheguei ao pódio (4º); o Half de Setúbal; olímpico no Sabugal, seguido da estafeta super-sprint no dia seguinte; o sprint de Oeiras; o Half de Lamego; e finalmente o Ironman Wales. Ainda havia pensado estender a época até ao Iberman, mas decidimos - o Paulo Conde e eu, ficar por aqui e descansar de uma época desgastante... especialmente quando já não se vai para novo :-)
 
 

Coca-Cola - a bebida que consumi
durante o segmento de corrida

Agradecimentos também à Rita, ao João e ao Pedro que, para além de partilharem muitos quilómetros de treino, estiveram presentes em Gales ajudando em pequenos e imperceptíveis detalhes que me mantiveram focado naquilo que realmente importava. A Rita e o João pela segunda vez! :-)

Para os Masters da Natação do SAD, que servem de cenoura nos treinos matinais de natação (eu nunca chego a conseguir alcançar as cenouras)...

Para a Cristina e Matt que tão bem nos recebem no seu Abbey Cottages, em Talley Abbey, que serve de quartel-general  nos dias em que por lá estamos.

Para o Lamego e Caldeirão que foram os restantes portugueses em prova, lutando com bravura contra o dragão galês. Estou certo que numa próxima os tendões do Lamego não causarão problemas e, também, que o Caldeirão conquistará a desejada slot que, infelizmente, desta vez lhe escorregou entre os dedos. Quem sabe, ainda para 2018... :-)
 
Obrigado e em 2019 lá teremos que lá voltar. O prometido é devido! :-)



E podem ver como estava o vento naquele dia...

mywindsock cycling weather

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Trabalho de equipa!

É aqui onde se nada... com a maré cheia
Não fazemos nada sozinhos! Cada vez mais as coisas dependem do trabalho de equipa e da confiança e cumplicidade entre os elementos dessa equipa. Foi assim comigo e com o Paulo Conde e isso permitiu-nos esta conquista.
Havia gostado tanto do Ironman Wales que, este ano, decidi voltar. Gosto do local, do ambiente e das pessoas. Gosto do local abrigado onde se nada, gosto do desafiante percurso de ciclismo e do exigente segmento de corrida.


Saundersfoot... Com 22%
O clima... bem... temos mesmo de falar sobre isso? O clima é britânico e, por isso, o tempo pode ser qualquer coisa. Desta vez, o dia de prova foi dia de temporal, com chuva e vento forte, a rondar os 50 Km/h. Um mimo para as rodas de perfil alto.

O dia começo cedou. Começa sempre cedo no Ironman. Cerca das 07h00, depois de cantado o hino galês na praia, com uma moldura humana impressionante, foi dada a partida. Mar calmo, água a bater nos 18ºC e sem chuva. Na segunda volta o mar ficou um pouco alteroso, mas sem dificuldades de maior. Havia partido na zona da 1h00. O segmento foi um pouco longo - 4.000m e acabei com cerca de 1h09.
A transição em Wales é longa. Tem 1Km de corrida, facto pelo qual é permitida a utilização de sapatilhas no mesmo. Cumprida a transição em 15 longos minutos lá me fiz à estrada, a encaixar o ritmo e a esconder-me do vento frontal que nos acompanharia nos primeiros 30Km.

Foi nessa altura, na zona costeira e desabrigada de Angle que começou a chover. Chuva essa que se manteve, quase em permanência, até final do segmento. Pelo meio o rompe pernas característico da região e a passagem em alguns troços de estreitas estradas rurais, com rajadas a surgir de entre as quebras entre muros. Épico!

Não vale a pena gastar energia a lutar contra o vento. Optei por adoptar um pedaleio tranquilo no limite superior da minha zona competitiva, na expectativa de chegar saudável para poder correr decentemente.

E assim acabou por acontecer. Rapidamente percebi que estava confortável a correr e apenas controlava o regime cardíaco nas zonas de subida, para não entrar em abusos. Ia em bom ritmo e ganhando posição atrás de posição. Aliás, acabaria por realizar a melhor corrida do meu escalão.


À entrada da última volta veio a informação: se mantivesse o ritmo a slot estava garantida e o pódio à espreita. E assim foi. Deu mesmo para abrandar nos 2Km finais, uma vez que as diferenças de tempo não davam azo a preocupações, tanto para a frente, como para trás.

Em suma, uma prova bem conseguida e um objectivo alcançado. Ou mesmo superado, porque, para além da dita slot, não é todos os dias que se consegue um pódio numa prova do circuito Ironman.





Registo final: 2º do Agegroup [50-54], 131º da Geral
  • Natação: 01:09:07 (27º do Escalão)
  • Ciclismo: 06:12:21 (7º do Escalão)
  • Corrida: 03:26:35 (1º do Escalão)
  • Final: 11:07:06 (2º do Escalão)
Não vivia com a obsessão de ganhar uma slot para o IM Hawaii. Mas, não nego que tinha o desejo de um dia o conseguir. Foi no Domingo passado, numa prova que gosto muito, com os meus amigos presentes, debaixo de difíceis condições. Estou contente!

Fotos do João Serôdio

  






segunda-feira, 17 de julho de 2017

Satisfeito!

 
Ontem foi dia de Triatlo de Oeiras. Ou, por outras palavras, foi dia de aligeirar a carga que tenho aplicado nos últimos tempos...

O Triatlo de Oeiras é uma das provas mais antigas do calendário nacional. Talvez por isso, e pela proximidade de casa será, porventura, a prova em que mais vezes competi. Ainda me lembro de, há uns bons anos, ser dos últimos a sair da água, envergando um discreto fato de jet-ski amarelo...

Sempre considerei o triatlo de Oeiras uma prova para nadadores na qual, por esse motivo, nunca teria grandes hipóteses. Apesar desse julgamento, já lá consegui subir ao pódio algumas vezes, e ontem foi mais um desses dias, com a segunda posição no escalão V3.


Logo me calço...
Mais do que a satisfação pela classificação, a satisfação pela prestação, apesar de bem carregado, sobretudo no dia anterior.



O dia começou pelas 06h00 da manhã, pois decidi ir de bicicleta para o local da prova. Check-in e preparativos feitos com a maior das calmas, aquecimento na água e assistir à partida feminina, 10' antes da nossa.

Verificava-se alguma corrente que puxava no sentido do forte. Por isso mesmo decidi partir o mais à esquerda possível, com a trajectória bem aberta. Talvez a tenha aberto em demasia mas, mesmo fazendo mais uns quantos metros, nadei tranquilo e a influência da corrente foi positiva, num dos meus melhores registos de sempre 11'30".


corrida final
Ia com ganas de fazer o ciclismo a fundo e sempre na frente do grupo a puxar. Fi-lo, para aí até alcançar o 3º grupo que seguia à minha frente. Depois, apesar de andar sempre pelos lugares da frente acabei por ir dividindo as despesas com outros atletas. O melhor registo de sempre em Oeiras, com média de 40,6Km/h.

A corrida final foi a possível face às circunstâncias. Já houve dias melhores. Ontem não deu para melhor do que 3'50"/Km e não deu para acompanhar o meu amigo e colega de equipa Paulo Lamego. Espero que dê para em Wales fazer uma boa maratona!



Pódio V3
No final, 95º absoluto em 415 atletas, 2º V3 com 1h04'15".

Próximo: Half de Lamego. E quinze dias depois... IM Wales!

Fotos da Rita Ramos, do João Silva e da Clarisse Henriques




sábado, 1 de julho de 2017

De novo no Pinhal Central


Desta vez não escrevo muito. Os trajectos do treino estavam definidos. Passavam por Góis, por Castanheira de Pêra e por Pedrógão Grande. A tragédia assolou a região no fim-de-semana anterior. Em dúvida até quase ao dia, acabámos por manter a actividade, ainda que com alteração dos percursos.

Sábado
  • Treino de natação em águas abertas, na albufeira de Castelo de Bode, entre as margens do Trízio e Rio Fundeiro.
  • À tarde treino regenerativo de ciclismo, com o que quer que isso signifique quando andamos a trepar rampas de 13% e acabamos na subida de Cambas.
Domingo
  • 128Km de rompe-pernas a Nordeste de Oleiros. O video ilustra porque é esta a melhor zona do país para pedalar...

terça-feira, 6 de junho de 2017

Longínqua, agreste, mas fantástica

Falo do Sabugal, cidade do Distrito da Guarda bem juntinho à Serra da Malcata que, no passado fim-de-semana recebeu uma jornada dupla de triatlo. No Sábado, prova na distância Olímpica (1,5; 40; 10) Km, no Domingo, tempo para uma daquelas que deixa a boca a saber a sangue, de tão rápida que é (0,3; 10; 2) Km.

Início do segmento de ciclismo com o João Serôdio
Apesar de ter iniciado o segmento de natação com alguma dificuldade, consegui encontrar um ritmo confortável e cumprir a distância em cerca de 27' a morder os calcanhares aos meus colegas de equipa.

Esta melhoria traduziu-se em ter conseguido fazer o segmento de ciclismo quase na íntegra com o meu colega de equipa Paulo Lamego e outro atleta do Sporting de Espinho. A parceria funcionou na perfeição e permitiu-nos cumprir os 40Km com média superior a 34Km/h. Excelente se considerarmos a orografia da zona, bem recortada.


A partilhar o pódio com o antigo atleta olímpico
de Pentatlo Moderno - Manuel Barroso
O segmento final seria sempre uma incógnita. Como reagiria eu à pouca carga que tenho colocado na corrida? Ainda que algo longe dos meus melhores desempenhos, geri da melhor forma e pude acabar com um registo de cerca de 41' mas, e este é o ganho maior, sem que as mazelas me tivesse apoquentado. A ver vamos se a coisa está bem encaminhada.

video
No Domingo integrei a estafeta de Veteranos, juntamente com o Silva e o Lamego, tendo ficado com o último percurso. Uma distância que não é de todo apropriada para atletas do nosso escalão etário, agravado pelo facto de treinarmos para distâncias muito superiores, disputadas a ritmos bem distintos. Éramos terceiros a escassos segundos do segundo lugar quando recebi a estafeta. Consegui ganhar essa posição durante o segmento de natação mas, fui mais lento na transição e aí comprometi, irremediavelmente, qualquer expectativa de lutar pela classificação. Comecei a correr com cerca de 200m de atraso, o que era impossível de recuperar em apenas 2Km. Assim, restou-me aconchegar um pouco o ritmo para uma toada confortável, apenas para cumprir a distância.

Em meados de Julho haverá mais. Será em Oeiras.

Fotos e videos da Rita Ramos, Ricardo Silva, Triatlo Portugal