segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

São Silvestre da Amadora

Para manter a tradição de fim-de-ano corri, uma vez mais, a prova da Amadora.
Depois de 3 dias de treino exigente - entre natação, corrida e ciclismo, com uma manhã de ciclismo intensa, longa e molhada, as pernas não apresentavam a frescura desejada para abordar uma competição deste nível.

Assim, o objectivo passava por fazer uma corrida tão rápida quanto possível sem, no entanto, me exceder para situações que pudessem provocar algum tipo de lesão. Atentos estes factos penso que foi uma prestação bem conseguida, a bater nos 4'00"/Km num percurso exigente como é o da Amadora.

É verdade que já corri provas de 10Km bem mais depressa. Inclusive na Amadora. Mas também é verdade que esta não é a distância para a qual me estou a preparar, nem, tão pouco, o momento para estar em forma.

Da prova apenas posso dizer que a organização da HMS Sport guindou a coisa para outro nível e qualidade. O percurso, também renovado, parece-me mais interessante, com opção por vias mais largas e melhor iluminadas, factor sempre importante quando se corre à noite e é aconselhável saber onde se colocam os pés.

Fica a vista aérea do meu desempenho, nas últimas horas do Ano de 2017... desportivamente falando, um excelente ano. :-)

Relive 'Corrida vespertina'


sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Resumo da época - uma época fantástica...

Setúbal
O Triatlo de Vilamoura, disputado no passado Domingo, marcou o final da época de 2017. Seguramente, terá sido, em termos pessoais, a minha melhor época na modalidade, facto a que não é alheio o resultado obtido no Ironman Wales - o segundo lugar no pódio do agegroup e uma valiosa slot para o Ironman Hawaii de 2018.

Foi uma época gerida com pinças. Havia que conseguir resolver uma arreliadora e prolongada lesão no calcâneo e ao mesmo tempo treinar e competir, sempre com o foco naquele que era o grande objectivo de 2017: o Ironman Wales. Assim, preferi competir um pouco menos e, também, aligeirar a carga no que à corrida diz respeito.

Sabugal
A primeira prova da época foi em Quarteira, na distância sprint, sempre bom para um estímulo de intensidade competitiva. A performance até superou um pouco a minha expectativa inicial e acabei na 4ª posição do escalão.

Depois, num espaço de 15 dias fiz 2 halfs. O primeiro foi em Setúbal. Prova com organização suprema, com um percurso mais exigente do que se imaginaria e com um resultado interessante, ainda que as sensações tivessem variado no decurso da competição. Terminei na 3ª posição do escalão, no meu primeiro pódio V3. Depois foi a vez de Sevilha, a prova de que tanto gosto na Andaluzia. Mais uma para ganhar consistência e para mostrar, também, alguma debilidade no segmento de corrida.

Oeiras
No mês seguinte - Junho, rumava ao Sabugal, para mais um fim-de-semana de triatlo, distribuído entre a distância Standard, no Sábado e uma estafeta, no Domingo. Desempenho dentro do esperado e com a boa notícia de ausência de dores no pé, mesmo no percurso acidentado e com piso irregular como é o do Sabugal. Fim de semana marcado também por mais duas idas ao pódio: no Sábado na segunda posição V3; no Domingo em terceiro na estafeta de veteranos com o Paulo Lamego e o Ricardo Silva.

A seguir chegava o triatlo de Oeiras. Um ciclismo forte e depois a incapacidade, natural diga-se, de andar depressa na corrida. Apenas o suficiente para chegar ao segundo lugar do pódio

Wales
O último grande teste estava marcado para 15 dias antes de Wales: era o Half do Douro, disputado entre o Peso da Régua e Lamego. A prova atribuía também os títulos nacionais de agegroups. Apelei a todos os recursos disponíveis no segmento de ciclismo no sentido de me chegar o mais à frente possível. Andei mais do que devia e acabei por pagar a factura na corrida não indo além da segunda posição no escalão.

Chegava Setembro e o dia do grande objectivo: Ironman Wales. Sobre esta prova já escrevi o suficiente. O desempenho foi excelente a todos os níveis e deu-me a possibilidade de poder ir competir no IM Hawaii, algo que até hoje apenas foi o privilégio de 36 atletas nacionais.

Wales
Se tudo correr bem, dia 13 de Outubro estarei no Kailua Pier, ao lado de mais 2000 atletas, em busca da meta.

Provavelmente cumprir a prova até não será o mais difícil. Nisto do Ironman conseguir construir condições para poder alinhar à partida é a primeira grande vitória. Não é só querer e pagar. É passar por um processo de treino exigente, conjugado com vida familiar e profissional, conseguindo cumprir o planeamento e fugindo de lesões e afins.

Vamos a isso! :-)


quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Estrada Nacional 2 (sentido Sul-Norte)

Depois de em 2016 ter cumprido o desejo de pedalar esta estrada, foi agora tempo de repetir mas, desta feita, em sentido inverso, ou seja, de Faro até Chaves.



Esta viagem está associada a uma acção promovida pelos Bombeiros Sapadores de Setúbal, na pessoa do seu Comandante e meu amigo, Paulo Lamego. O objectivo é chamar a atenção para o Bombeiros, lembrando à população que eles estão sempre, sempre presentes. Não só nos fogos de Verão, mas também nas inundações de Inverno, nos acidentes, nas catástrofes e sempre que estamos em situação de desespero, sem solução à vista. Assim, nada melhor, pensou o Paulo Lamego, que percorrer o país na estrada que o une de Norte a Sul.


Serra do Caldeirão
Desta feita dividimos as etapas de forma diferente. Fizémo-lo com base nas quilometragens que pretendíamos percorrer, mas também na capacidade das corporações em nos albergar.

No primeiro dia ligámos Faro a Montemor-o-Novo. Foram 215 Km, percorridos em cerca de 7h15'. A dificuldade do dia era a Serra do Caldeirão e o piso das estradas alentejanas, que se apresenta descuidado, ainda que em melhor estado do que no ano passado. Mais uma vez, o grupo de ciclistas TokaRolar, de Almodôvar, veio ao nosso encontro para puxar durante alguns quilómetros o que sempre agradecemos. O dia ficou marcado por uma queda de um dos nossos elementos, nas curvas do Caldeirão. Feia, mas felizmente sem danos físicos de maior.

O Lamego e eu em pura diversão perto de Mora
No segundo dia eram só 170 Km, com a promessa de alguma chuva. Só a partir do Km 120 esperávamos algumas dificuldades, impostas pelo relevo. Acabei por fazer as 3 primeiras horas com a companhia do Paulo Lamego, onde percorremos 100Km. Apanhámos alguma chuva perto de Abrantes que, nos trouxe apenas algum frio. Entre Abrantes e Sertã tivemos o primeiro contacto com a terra queimada. Não na dimensão que temíamos mas, de qualquer modo, são zonas bonitas e meios de subsistência que desapareceram e demorarão algum tempo a ser repostos.

Após Alvares - 10Km a 4%
Terceiro dia: uma jornada épica. Confesso que temia esta etapa, pois associava uma quilometragem elevada - 234 Km, a uma altimetria respeitosa - 3.700m d+, a um dia já mais curto e à possibilidade de chuva. Saímos bem cedo da Sertã e, até Pedrógão Grande, continuámos a ter paisagem verde. Neste capítulo a coisa começava a ficar dolorosa a partir de Alvares. Góis, Vila Nova de Poiares, Santa Comba Dão... Enfim, tudo completamente arrasado. A paisagem queimada associada a uma N2 que se vai confundindo com o IP3 e onde a sinalização é nula, fizeram deste troço um martírio. Depois de Viseu montámos as luzes nas bicicletas. Como prevíamos, chegar de dia era impossível e, a partir de Castro d'Aire era noite cerrada e com muitos quilómetros a subir até Bigorne, o ponto de maior cota da N2. Chegados ao topo tínhamos chuva à nossa espera, para tornar épica e inesquecível a sinuosa descida de 14 Km até Lamego.

Vila Real
Quarto e último dia reservava-nos uma passeata de 100Km. Douro e Corgo vinhateiros. Passagem pelo Peso da Régua, Vila Real, Santa Marta de Penaguião. A seguir a Vilarinho da Samardã, terra de inspiração de Camilo Castelo Branco, preponderavam as descidas até final, pelo que seguimos a ritmo muito simpático, até alcançarmos o marco do Km 0 da N2, de onde, um ano antes, havíamos partido.

Missão cumprida pelos 9 ciclistas e respectiva equipa de apoio. Ao contrário do ano passado, desta vez houve quedas, furos e uma avaria mecânica esquisita, mas tudo foi resolvido e o grupo chegou coeso ao final.


Fotos da Rita Ramos
 
 
 





sábado, 30 de setembro de 2017

Números!

Aeroporto de Lisboa - Quando a Helena fugiu
para não ser vista acompanhando um tipo

com flores ao pescoço... :-) 
No passado dia 10 de Setembro, concluí em Tenby, País de Gales, o meu 4º Ironman. Depois de na minha segunda experiência - no Iberman, ter enfrentado condições extremas, com temperaturas a chegar aos 45Cº, desta vez houve que enfrentar chuva e vento, muito vento.
 
Contudo, tal não impediu que a prova me tivesse corrido bem. Tão bem que alcancei a segunda posição no meu Agegroup [50-54] e ganhei o almejado Slot para o Campeonato do Mundo Ironman 2018, em Kona, no Hawaii. Como gosto de dados e da sua análise, partilho alguns que considero interessantes.
 
A preparação oficial começou no dia 07 de Novembro de 2016. Fiz desde então 486 treinos durante os quais, aproximadamente, nadei 392Km, pedalei 8.865Km e corri 972Km.




Dados interessante sobre a prova

A dureza do prova galesa fica atestada pelo facto de só 85% daqueles que iniciaram a competição a terem concluído. Terminaram 1476 homens - 136 no meu Agegroup), tendo a minha marca 11h07'06" sido a 128ª - 2ª do Agegroup. Relevo para o segmento de corrida, onde fiz a melhor marca do Agegroup e a 60ª absoluta.
 

Coach Paulo Conde
À saída da água era 27º. Acabei o ciclismo na 10ª posição. E recuperei mais 8 lugares na corrida. Ao Km25 estava dentro da zona da slot, no Km 31,6 no pódio e no 35,4Km no segundo lugar, mas longe da liderança.

Pela primeira vez, em cerca de 20 anos de triatlo, competi com um agasalho. Sim, um casaco de ciclismo de meia-estação sobre o equipamento de competição e ainda umas biqueiras de neoprene sobre os sapatos de ciclismo. Optei também por gastar mais algum tempo na T1 e secar o tronco e vestir um top de competição seco. Estar o mais tempo possível confortável durante o ciclismo foi importante.







Fisioterapeuta Armando Jorge

Agradecimentos

Desde Agosto de 2014 que tenho andado com uma lesão no calcâneo que se afigura crónica. Depois de muitos médicos e de muitas tentativas terapêuticas, a solução veio através do Dr. João Paulo d'Almeida e do Fisioterapeuta Armando Jorge. Provavelmente, sem a ajuda deles não teria conseguido reunir as condições para correr como necessário e, sobretudo, para passar a linha de meta sem qualquer queixa. Fica o reconhecimento pela sua extrema competência e amizade.
 
Uma palavra especial para o Paulo Conde - Academia Ironconde, pela amizade e pelo planeamento do treino, que encaixou de forma perfeita no objectivo que havíamos delineado. Muito obrigado.

Melhor era impossível. O ponto alto de 2017, o objectivo da época, sempre foi o Ironman. Conseguimos não perder o foco com outras participações desportivas, que sempre considerámos como peças importantes no planeamento, mas secundárias enquanto resultado desportivo. Fiz o sprint de Quarteira - por sinal, a única prova onde não cheguei ao pódio (4º); o Half de Setúbal; olímpico no Sabugal, seguido da estafeta super-sprint no dia seguinte; o sprint de Oeiras; o Half de Lamego; e finalmente o Ironman Wales. Ainda havia pensado estender a época até ao Iberman, mas decidimos - o Paulo Conde e eu, ficar por aqui e descansar de uma época desgastante... especialmente quando já não se vai para novo :-)
 
 

Coca-Cola - a bebida que consumi
durante o segmento de corrida

Agradecimentos também à Rita, ao João e ao Pedro que, para além de partilharem muitos quilómetros de treino, estiveram presentes em Gales ajudando em pequenos e imperceptíveis detalhes que me mantiveram focado naquilo que realmente importava. A Rita e o João pela segunda vez! :-)

Para os Masters da Natação do SAD, que servem de cenoura nos treinos matinais de natação (eu nunca chego a conseguir alcançar as cenouras)...

Para a Cristina e Matt que tão bem nos recebem no seu Abbey Cottages, em Talley Abbey, que serve de quartel-general  nos dias em que por lá estamos.

Para o Lamego e Caldeirão que foram os restantes portugueses em prova, lutando com bravura contra o dragão galês. Estou certo que numa próxima os tendões do Lamego não causarão problemas e, também, que o Caldeirão conquistará a desejada slot que, infelizmente, desta vez lhe escorregou entre os dedos. Quem sabe, ainda para 2018... :-)
 
Obrigado e em 2019 lá teremos que lá voltar. O prometido é devido! :-)



E podem ver como estava o vento naquele dia...

mywindsock cycling weather

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Trabalho de equipa!

É aqui onde se nada... com a maré cheia
Não fazemos nada sozinhos! Cada vez mais as coisas dependem do trabalho de equipa e da confiança e cumplicidade entre os elementos dessa equipa. Foi assim comigo e com o Paulo Conde e isso permitiu-nos esta conquista.
Havia gostado tanto do Ironman Wales que, este ano, decidi voltar. Gosto do local, do ambiente e das pessoas. Gosto do local abrigado onde se nada, gosto do desafiante percurso de ciclismo e do exigente segmento de corrida.


Saundersfoot... Com 22%
O clima... bem... temos mesmo de falar sobre isso? O clima é britânico e, por isso, o tempo pode ser qualquer coisa. Desta vez, o dia de prova foi dia de temporal, com chuva e vento forte, a rondar os 50 Km/h. Um mimo para as rodas de perfil alto.

O dia começo cedou. Começa sempre cedo no Ironman. Cerca das 07h00, depois de cantado o hino galês na praia, com uma moldura humana impressionante, foi dada a partida. Mar calmo, água a bater nos 18ºC e sem chuva. Na segunda volta o mar ficou um pouco alteroso, mas sem dificuldades de maior. Havia partido na zona da 1h00. O segmento foi um pouco longo - 4.000m e acabei com cerca de 1h09.
A transição em Wales é longa. Tem 1Km de corrida, facto pelo qual é permitida a utilização de sapatilhas no mesmo. Cumprida a transição em 15 longos minutos lá me fiz à estrada, a encaixar o ritmo e a esconder-me do vento frontal que nos acompanharia nos primeiros 30Km.

Foi nessa altura, na zona costeira e desabrigada de Angle que começou a chover. Chuva essa que se manteve, quase em permanência, até final do segmento. Pelo meio o rompe pernas característico da região e a passagem em alguns troços de estreitas estradas rurais, com rajadas a surgir de entre as quebras entre muros. Épico!

Não vale a pena gastar energia a lutar contra o vento. Optei por adoptar um pedaleio tranquilo no limite superior da minha zona competitiva, na expectativa de chegar saudável para poder correr decentemente.

E assim acabou por acontecer. Rapidamente percebi que estava confortável a correr e apenas controlava o regime cardíaco nas zonas de subida, para não entrar em abusos. Ia em bom ritmo e ganhando posição atrás de posição. Aliás, acabaria por realizar a melhor corrida do meu escalão.


À entrada da última volta veio a informação: se mantivesse o ritmo a slot estava garantida e o pódio à espreita. E assim foi. Deu mesmo para abrandar nos 2Km finais, uma vez que as diferenças de tempo não davam azo a preocupações, tanto para a frente, como para trás.

Em suma, uma prova bem conseguida e um objectivo alcançado. Ou mesmo superado, porque, para além da dita slot, não é todos os dias que se consegue um pódio numa prova do circuito Ironman.





Registo final: 2º do Agegroup [50-54], 131º da Geral
  • Natação: 01:09:07 (27º do Escalão)
  • Ciclismo: 06:12:21 (7º do Escalão)
  • Corrida: 03:26:35 (1º do Escalão)
  • Final: 11:07:06 (2º do Escalão)
Não vivia com a obsessão de ganhar uma slot para o IM Hawaii. Mas, não nego que tinha o desejo de um dia o conseguir. Foi no Domingo passado, numa prova que gosto muito, com os meus amigos presentes, debaixo de difíceis condições. Estou contente!

Fotos do João Serôdio