terça-feira, 24 de junho de 2014

Estatísticas e fotos do Iberman



O troféu de 2º classificado no grupo de idade
Para os interessados nas coisas das estatísticas, aqui ficam alguns dados sobre o meu Iberman 2014 - o segundo, e o treino que realizei até lá. Menos volume do que no ano anterior, pois não tive tanta disponibilidade, mas mais experiência e conhecimento sobre a distância.
video



Equipamento


Cumpridos 3,8Km a nadar
Fato Sailfish, equipamento ZeroD, sapatilhas Zoot TT 7.0, bicicleta Specialized Transition Pro, com andamentos 54x39 e 11x23.



Em prova



Em direcção a Mértola. O calor ainda não estava no auge
Tempo final: 11h22'44", 10º classificado, 2º do grupo de idade [45-49], dentro dos primeiros 6% de todos os atletas chegados.
Natação: 1h11'24", 37º registo do dia, dentro dos primeiros 42% do pelotão.
Ciclismo: 5h55'17", 7º registo do dia, dentro dos primeiros 7% do pelotão.
Corrida: 4h07'13", 16º registo do dia, dentro dos primeiros 17% do pelotão.
T1: 4'56"; 40º registo do dia, dentro dos 45% mais rápidos.
T2: 3'54"; 25º registo do dia, dentro do primeiro terço mais rápido.


No segmento de corrida de 42,2 Km
Na natação demorei mais 11' do que o mais rápido, no ciclismo mais 31' e na corrida mais 53'. Fiquei a 40' do vencedor do meu escalão, atleta que ultrapassei no segmento de ciclismo, mas que me voltou a apanhar e deixar para trás no início da corrida.


Com os meus colegas do CNCVG
Nelson Fernandes e António Rodrigues
Consumi 1.186C, na natação, 3.987C no ciclismo e 2.118C na corrida. Ingeri 6 pacotes de gel Powerbar, 2 barras Zip Vit, 4 pastilhas energéticas Nutrend, 12 pastilhas de sais Nutrend a par de comprimidos com electrólitos. Água terão sido 20l e ainda diversos copos de Coca-Cola, mesmo apesar de ter sido disponibilizada quente(!!!).


No treino

Início da preparação: 06 de Janeiro,  6.735 Km, 250h20',
Natação: 162 Km, 72h20';
Ciclismo: 3.214 Km, 115h00';
Corrida: 734 Km, 63h00'.


Palavras especiais


226Km e 11h depois...
Para o Paulo Conde que, não tendo sido, desta vez, o responsável pelo meu planeamento, foi, sem dúvida, o mentor e o grande conselheiro. Obrigado.

Para o Edgar Andrade, treinador de natação que consegue que "âncoras" se desloquem durante 4 Km, sem afundar e com capacidade para pedalar e correr a seguir. Mais do que um agradecimento, caberá um pedido de desculpas, pelos cabelos que lhe deixamos em pé... :-)

Para os meus colegas de equipa que, durante todo o tempo, me acompanharam nas saídas de ciclismo ou partilharam comigo o cloro da piscina, aligeirando, através da sua presença e amizade, a dureza do treino.

À Rita Ramos e ao João Serôdio pelo apoio incondicional antes, durante e após a prova. 


Finalmente, uma bebida fresca. À Vossa!
À Federação de Triatlo de Portugal por não ter conseguido fornecer mais do que bebidas quentes nos abastecimentos de corrida, num dia em que as temperaturas passaram além dos 40º C. Conseguiram tornar muito mais difícil o que já de si é bastante difícil, não falando do comprometimento da saúde dos atletas. Mas, também assim, conseguiram que eu me superasse para além daquilo que julgava ser possível. Obrigado! :-)








Fotos do João Serôdio

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Travessia Bessone

Para limpar o corpo do Iberman, no Sábado fui fazer a Travessia Bessone. Foram 2,5Km a nadar entre Paço d'Arcos e a Marina de Oeiras.


Nadei com fato isotérmico. O mar estava com bastantes e grandes ondas, pouco confortável para nadar. As ondas elevam-nos, o que, por vezes, provoca com que demos as braçadas em falso. É desconfortável e quebra o ritmo do nado.


Após a chegada, com o Manuel Gonçalves

Felizmente a corrente era favorável ao sentido de deslocação o que me permitiu cobrir a distância em 34'. Impensável sem essa ajuda.

Foto da Rita Ramos

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Inferno!

Inferno porquê? Inferno é um termo usado por diferentes religiões, mitologias e filosofias, representando a morada dos mortos, ou lugar de grande sofrimento e de condenação.  Ora, para mim, a II edição do Iberman foi de facto um local de grande sofrimento, com o Inferno instalado na zona entre Mértola e a localidade espanhola de Granado, onde, à sombra, estavam mais de 40º C. Digamos que, não serão, de todo, as condições desejáveis para competir numa prova já de si muito exigente, como é um Ironman.

A partida foi dada pelas 7h00 da manhã em Monte Gordo. Gastei 1h11' para cumprir os 3,800 Km de natação, sempre um nadinha ampliados pelo facto de, em águas abertas, ser complicado manter uma linha recta.

Comecei então a pedalar perto das 8h15, ainda sob uma temperatura agradável. Aguardavam-me 180Km - mal medidos por defeito, com um desnível positivo acumulado de cerca de 2000 m. O trajecto rumava a norte, infletindo em Mértola na direcção de Espanha, território no qual entrava pouco depois, cruzando o rio Guadiana no Pomarão. A partir daí, rumo a sul, para Ayamonte, onde deixaria a bicicleta e iniciaria a corrida de 42Km.


O calor era muito e assim, a estratégia de prova passava por alguma contenção neste segmento. De qualquer modo, andei bem neste segmento - 7º tempo absoluto, bebendo água lisa, água com sais, barras, géis e electrólitos. Despejei vários bidões sobre mim e dentro do capacete. Perto do Km 110 pensei seriamente em parar por ali. Estava a arder. O calor era tanto, tanto, que os pés latejavam e pareciam assentes sobre brasas.

Contudo, algo agradável me esperava naquela localidade: bebidas FRESCAS! Repus todos os meus bidões, bebi, molhei-me, refresquei-me. Fiquei como novo e com ânimo novo, para ir em busca dos adversários que então me antecediam.

Ao fim de cerca de 5h55 sobre a Specialized Transition e o sétimo registo do dia, era tempo de calçar as sapatilhas e enfrentar a Maratona. Iniciei o segmento de forma muito cautelosa para avaliar o meu estado. Até nem estava nada mau e lá segui. Ia ganhando tempo para quem me precedia e havia sido apenas ultrapassado por um atleta mais rápido - infelizmente era do meu escalão!

Dupliquei a capacidade de transporte de líquidos face a 2013
 O gel que tinha reservado para este segmento fervia, eu fervia, a água fervia. O calor era sufocante mas, felizmente, não tanto como mais acima, em Mértola, havia um par de horas. Foi aqui que, na minha opinião se verificaram as maiores fragilidades da organização. Os abastecimentos estavam pobres em quantidade e, sobretudo, em qualidade. Não é admissível racionar abastecimentos nestas condições a duas garrafas por atleta, em cada um dos postos de abastecimento. Não é admissível servir Coca Cola quente, como se de chá se tratasse, ter pouca fruta e apenas umas quantas barras que ninguém já consegue ingerir. Em suma, não gostei e achei que, neste particular, a prova esteve muito aquém da edição de 2013.

Carmo, o Homem Pyrex :-)

Voltando à minha corrida, depois de uma ligação de 12Km, entre Ayamonte e Huelva chegávamos a um circuito de ida e volta, com 10 Km, que percorríamos por três vezes. Bom para o público, maçador para os atletas. Na segunda volta, portanto quando seguia com cerca de 22 Km já percorridos, senti-me bem e acelerei um pouco. Infelizmente, não consegui manter aquele ritmo nos últimos 10Km pois o desgaste era já muito grande e a parte muscular ameaçava querer deixar de colaborar a qualquer momento. Corri em 4h07.

Terminei no Top 10, numa prova cuja startlist não era assim tão forte, e alcancei a segunda posição no meu Escalão [45-49], com um registo final de 11h22'44". Demorei mais uns minutos que na edição do ano anterior, apesar de serem provas incomparáveis, tanto pelos percursos, que foram distintos, como pelas condições atmosféricas que, aqui, estavam impróprias para a longa distância.

Pude constatar também que deve ser feito de uma espécie de Pyrex... posso ir ao forno... :-)  mas, aprendi também que, muito dificilmente, voltarei a competir neste tipo de condições atmosféricas. Agora, tempo de recuperar e começar a preparar o segundo objectivo da época o Titan.

Fotos do João Serôdio. Em breve as estatísticas

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Pronto!

Vigésima sétima edição do Triatlo de Oeiras. Foi ontem. Já perdi a conta às vezes em que competi nesta prova. Perto de casa, num cenário muito bonito, com muitos atletas e muito público. A primeira vez que aqui competi, fi-lo com a minha mulher sob a forma de estafeta. Ela nadou, sem fato, na água então gelada. Eu fiz o resto. Mesmo azul, devido ao frio - eu nunca a havia visto azul antes :-), foi das primeiras a sair da água e facilitou-me a vida para os restantes segmentos. Acabámos por ganhar um cheque-oferta para uma loja de ciclismo - a Bicimanipalo. Foi um bocado injusto para ela... :-)

Antes da partida...

Esta é uma prova de que gosto, não obstante a considerar propícia a bons nadadores. O percurso de ciclismo não tem qualquer tipo de selectividade pelo que, quem nada bem, apenas terá de se aguentar nos grupos que se vão formando no ciclismo, chegando assim ao segmento final, o de corrida, com uma vantagem bastante considerável.

Com o João Serôdio no início do segmento de corrida
A seis dias do meu primeiro grande objectivo de 2014 - o Iberman, o Triatlo de Oeiras surgia como uma situação de treino em ambiente competitivo. Nadar o melhor possível, fazer o ciclismo a fundo e ver como as pernas reagiam na corrida, foram os objectivos traçados.

O mar apresentava algumas dificuldades, pois estava um pouco agitado e com alguma corrente. Associado a isto, apanhei muito tráfego na partida e por muito que quisesse progredir apanhava sempre alguém atravessado à minha frente. Até à primeira bóia não foi fácil.

À saída da água soube que o meu colega de equipa João Serôdio estava poucos segundos à minha frente e acelerei o passo para o apanhar na transição. Algo que consegui e que nos permitiu iniciar o segmento de ciclismo juntos. Apesar de pretender fazer todas as despesas do segmento, seria bom poder contar com alguém para passar na frente de vez em quando, para que o ritmo não caísse. E assim foi. Andámos bem, muito bem mesmo, e fomos apanhando vários grupos e engrossando o pelotão.


Segundo V2 em Oeiras
Na corrida final as pernas estavam frescas. Eu não estava particularmente rápido, o que é natural atendendo ao tipo de treino que fiz e ao objectivo que me espera, mas senti-me particularmente consistente. Assim sendo, comecei a espreitar para a minha concorrência directa no escalão V2 e pude constatar que apenas seguia um atleta à minha frente - o António Calafate. Nesta distância - Sprint, ele é inalcançável para mim, portanto, restava-me manter o meu ritmo sem grandes sobressaltos.

No final um 61º lugar absoluto, 2º no escalão V2, com um registo de 01:07:37. Destaque para o bom segmento de ciclismo e para a consistência na corrida. O Iberman está a chegar e eu gostei das minhas sensações. Mas no Sábado tudo será diferente. Mais do que se ser rápido interessará ser muito consistente, e aguentar as mais de 10h consecutivas de esforço físico, gerindo de forma irrepreensível os processos de hidratação e de alimentação. Depois controlar as emoções para gerir os momentos menos bons que surgem sempre neste tipo de prova. Enfim é uma vida! :-)

Fotos de Carlos Maia e Rita Ramos

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Nas margens do Zêzere

A cerca de 15 dias do primeiro grande objectivo da época - o Iberman, foi tempo de mais um treino de ciclismo numa das minhas zonas de eleição: o Pinhal Central.


Com o Pedro Monteiro à chegada a Pedrógão Grande
Uma vez mais, a vila de Oleiros foi eleita como centro operacional. Custos reduzidos e uma qualidade inigualável fazem com que continue a apostar, frequentemente, neste destino. As estradas, não me canso de sublinhar, são imaculadas e com um tráfego muito reduzido. Isto, tanto nos caminhos municipais, como nas vias de classificação nacional, o que permite pedalar de forma mais descontraída.


O Zêzere perto de Ademoço
A parte inicial do nosso trajecto decorreu nas estradas que serpenteiam entre as margens mais escarpadas do Zêzere, passando pelas localidades de Cambas, Ademoço, Janeiro de Baixo, Janeiro de Cima, Porto de Vacas. Paisagens arrebatadoras. Nesta aldeia iniciava-se a primeira grande subida do dia, até Portela de Unhais junto à barragem de Santa Luzia.


A partir daqui , uma estrada, ondulada, mas muito rápida até Pedrógão Grande e pouco depois Sertã. Era aqui que voltávamos a enfrentar a serra. A Serra de Alvéolos e o Cabeço Raínho, numa subida de 2ª categoria, que nos levava até uma bateria de aerogeradores, perto dos 1000m de altitude. Estava alcançado o planalto, e ficavam a faltar cerca de 15Km até ao destino final, com alguns topos de permeio, a consumir o resto das energias que ainda existiam.

Antes desta subida uma paragem num café em Portela de Bezerrins, para comprar água e uma breve troca de palavras com os locais. Coisas do género: "- Você tem isso muito bem pensado - observando os meus bidões. - Um para aguardente, outro para vinho!" "- Ides para Oleiros? Pela Serra? Livra... Antes vós do que eu!" "Se eu andasse assim de bicicleta, também perdia esta barriga toda!"... :-)


Perfil altimétrico da última dificuldade do dia
Depois deste último treino longo de ciclismo, será tempo de descansar e aguardar que a sobrecompensação faça o seu efeito. No dia 14 de Junho, a distância Ironman espera-me uma vez mais, no Iberman, e então será altura de verificar se o trabalho de casa foi, ou não, bem feito.

Fotos minha e da Rita Ramos