Já tinha participado em vários Campeonatos do Mundo de triatlo, nomeadamente na distância standard - olímpica - na Madeira, e no Campeonato do Mundo da ITU, em Vitoria - Espanha, numa distância longa composta por 4 km de natação, 120 km de ciclismo e 30 km de corrida. Tinha também participado três vezes no Hawaii, na distância completa de Ironman.
No entanto, esta foi a minha primeira participação num Campeonato do Mundo de Ironman 70.3, para o qual me qualifiquei no ano passado, em Agadir.
A prova de correu em Nice. Sem dúvida, um destino fantástico. Uma cidade bonita, com um ambiente agradável, boas condições de acesso e um cenário extraordinário para receber uma competição desta dimensão.
O clima é geralmente favorável, embora a humidade se faça sentir, sobretudo na corrida, quando o esforço coincide com as horas de maior calor. Mas, apesar de todas estas qualidades, tenho de reconhecer que esta foi, provavelmente, uma das provas da marca Ironman de que menos gostei.
E explico porquê.
A natação decorreu num mar fantástico, tranquilo, com a água a cerca de 27 graus — praticamente uma temperatura havaiana. Um cenário excelente, sem dificuldades de maior no que diz respeito às condições do mar.
Quanto à corrida, a mesma realizou-se num dos locais mais emblemáticos de Nice, proporcionando um enquadramento verdadeiramente especial.
O problema esteve mesmo no segmento de ciclismo.
Na minha opinião, o percurso deixou bastante a desejar. A qualidade das estradas não é a melhor e a saída de Nice incluía sucessivas curvas, passagens estreitas e obstáculos que dificultavam a progressão.
Mas o mais preocupante foi a descida. Com o trânsito condicionado e algumas situações de condução pouco cuidadosa por parte dos automobilistas, a sensação de insegurança tornou-se ainda maior.
Confesso que não gostei nada desta parte da prova. Só queria mesmo que o ciclismo terminasse para poder chegar inteiro à segunda transição e começar a correr.
Em termos desportivos, não trazia grandes expectativas. Tinha realizado um Ironman apenas quatro semanas antes e sabia perfeitamente que o desgaste de uma prova dessa dimensão não desaparece num mês.
E isso fez-se sentir, sobretudo no ciclismo.
Nas subidas, sentia que queria aplicar força, mas as pernas simplesmente não respondiam. Não era uma questão cardiovascular, mas essencialmente muscular. Faltava força e capacidade de resposta.
A natação foi bastante fraca, em linha com aquilo que tenho apresentado ultimamente e, infelizmente, também com o que já esperava.
A corrida acabou por ser a parte mais positiva da minha prestação.
Apesar de o tempo final não ter sido extraordinário, senti-me solto, confortável e capaz de manter os ritmos previstos. Foi, sem dúvida, o segmento em que tive melhores sensações.
No que respeita aos pontos positivos, há a relevar a recuperação de posições ao longo da competição. Saí da água aproximadamente na 280.ª posição e terminei em 62.º lugar, num universo de cerca de 300 atletas.
Uma recuperação significativa, que demonstra que, apesar do desgaste acumulado e das dificuldades sentidas, consegui manter uma prestação competitiva.
Outro ponto muito positivo foi a gestão da nutrição e da hidratação.
Tudo correu dentro do planeado e terminei a competição em boas condições físicas, algo que considero particularmente importante depois de um período de provas tão exigente.
No balanço final, fica a satisfação de ter participado em mais um Campeonato do Mundo e de ter conhecido um local tão emblemático para a modalidade.
O próximo seria (á data que escrevo este texto) o T100 de Sines. Contudo, adoeci pouco depois do regresso de Nice e decidi abdicar da participação nesta prova. A época seria mesmo fechada no formato de estafeta no 70.3 de Cascais.

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