sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Bullets Relay: estafeta no 70.3 de Cascais

Há dias em que o triatlo é apenas competição. E há dias em que nos lembra porque continuamos a voltar. O Ironman Cascais70.3 deste ano foi isso mesmo: uma celebração.



A nossa equipa, os Bullets Relay, alinhou mais uma vez na prova de estafetas com um objetivo simples: desfrutar o momento. 

Tudo começou na água, onde a Helena esteve ao seu nível,. completando o segmento de natação em cerca de 32 minutos, registando não só um dos melhores tempo entre todas as age-groupers presentes, mas também um registo superior ao de algumas atletas profissionais. Foi logo um enorme boost motivacional e uma chapada de responsabilidade para toda a equipa, colocando-nos desde cedo numa posição privilegiada .

Com a estafeta entregue em excelente posição, entrei para o segmento de ciclismo sem as habituais preocupações de gestão de esforço. Pela frente estavam os 90 quilómetros e, desta vez, não havia corrida para guardar as pernas. A estratégia era simples: dar tudo o que houvesse para dar.

Mas a estrada tinha outras ideias. O vento esteve absolutamente inclemente durante todo o percurso e acabou por cobrar uma fatura pesada. Apesar de um início consistente, fui sentindo o desgaste acumular-se e os derradeiros 10Km foram particularmente difíceis e pouco conseguidos. Quebrei de forma evidente nessa fase final, lutando mais contra os elementos do que contra os restantes atletas. Ainda assim, consegui entregar o testemunho ao Pedro na liderança das estafetas mistas.

Ficava a faltar a corrida, que o Pedro soube bem gerir. Sem excessos, sem entrar em aventuras desnecessárias, fez uma prova inteligente e controlada, consolidando a vantagem que trazíamos e mantendo-nos no topo da classificação.

No final, os Bullets Relay voltaram a vencer as estafetas mistas, alcançando o feito pelo segundo ano consecutivo.

Mais do que a vitória - pouco ou nada relevante neste contexto das estafetas - fica a memória de um dia fantástico, de uma equipa solidária, de uma prova com um ambiente simplesmente incrível. 

Foi a forma perfeita para encerrar a época de 2026, partilhando a paixão por esta modalidade e vivendo, uma vez mais, tudo aquilo que torna o triatlo tão especial.

Venha 2027!

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Cote d'Azur | Campeonato do Mundo de Ironman 70.3, em Nice, França.

Já tinha participado em vários Campeonatos do Mundo de triatlo, nomeadamente na distância standard - olímpica - na Madeira, e no Campeonato do Mundo da ITU, em Vitoria - Espanha, numa distância longa composta por 4 km de natação, 120 km de ciclismo e 30 km de corrida. Tinha também participado três vezes no Hawaii, na distância completa de Ironman.

No entanto, esta foi a minha primeira participação num Campeonato do Mundo de Ironman 70.3, para o qual me qualifiquei no ano passado, em Agadir.

A prova de correu em Nice. Sem dúvida, um destino fantástico. Uma cidade bonita, com um ambiente agradável, boas condições de acesso e um cenário extraordinário para receber uma competição desta dimensão.

O clima é geralmente favorável, embora a humidade se faça sentir, sobretudo na corrida, quando o esforço coincide com as horas de maior calor. Mas, apesar de todas estas qualidades, tenho de reconhecer que esta foi, provavelmente, uma das provas da marca Ironman de que menos gostei.

E explico porquê.

A natação decorreu num mar fantástico, tranquilo, com a água a cerca de 27 graus — praticamente uma temperatura havaiana. Um cenário excelente, sem dificuldades de maior no que diz respeito às condições do mar.

Quanto à corrida, a mesma realizou-se num dos locais mais emblemáticos de Nice, proporcionando um enquadramento verdadeiramente especial.

O problema esteve mesmo no segmento de ciclismo.

Na minha opinião, o percurso deixou bastante a desejar. A qualidade das estradas não é a melhor e a saída de Nice incluía sucessivas curvas, passagens estreitas e obstáculos que dificultavam a progressão.

Mas o mais preocupante foi a descida. Com o trânsito condicionado e algumas situações de condução pouco cuidadosa por parte dos automobilistas, a sensação de insegurança tornou-se ainda maior.

Confesso que não gostei nada desta parte da prova. Só queria mesmo que o ciclismo terminasse para poder chegar inteiro à segunda transição e começar a correr.

Em termos desportivos, não trazia grandes expectativas. Tinha realizado um Ironman apenas quatro semanas antes e sabia perfeitamente que o desgaste de uma prova dessa dimensão não desaparece num mês.

E isso fez-se sentir, sobretudo no ciclismo.

Nas subidas, sentia que queria aplicar força, mas as pernas simplesmente não respondiam. Não era uma questão cardiovascular, mas essencialmente muscular. Faltava força e capacidade de resposta.

A natação foi bastante fraca, em linha com aquilo que tenho apresentado ultimamente e, infelizmente, também com o que já esperava.

A corrida acabou por ser a parte mais positiva da minha prestação.

Apesar de o tempo final não ter sido extraordinário, senti-me solto, confortável e capaz de manter os ritmos previstos. Foi, sem dúvida, o segmento em que tive melhores sensações.

No que respeita aos pontos positivos, há a relevar a recuperação de posições ao longo da competição. Saí da água aproximadamente na 280.ª posição e terminei em 62.º lugar, num universo de cerca de 300 atletas.

Uma recuperação significativa, que demonstra que, apesar do desgaste acumulado e das dificuldades sentidas, consegui manter uma prestação competitiva.

Outro ponto muito positivo foi a gestão da nutrição e da hidratação.

Tudo correu dentro do planeado e terminei a competição em boas condições físicas, algo que considero particularmente importante depois de um período de provas tão exigente.

No balanço final, fica a satisfação de ter participado em mais um Campeonato do Mundo e de ter conhecido um local tão emblemático para a modalidade.

O próximo seria (á data que escrevo este texto) o T100 de Sines. Contudo, adoeci pouco depois do regresso de Nice e decidi abdicar da participação nesta prova. A época seria mesmo fechada no formato de estafeta no 70.3 de Cascais. 


terça-feira, 25 de agosto de 2026

Sub 10

A minha última prova na distância Full tinha acontecido em 2023, em Langkawi na Malásia, então com vitória no AG, o que me levou a Kona no ano seguinte. Contudo, o Hawaii 2024 foi uma prova de má memória, uma vez que, uma queda no ciclismo me impediu de terminar. 

Estava assim bastante expectante sobre o meu desempenho em Kalmar mas ia com a convicção de poder baixar da barreira das 10 horas.

A natação ficou aquém das minhs expectativas. Apontava para um registo a rondar 1h15' mas não fiz melhor do que 1h19'. Numa prova em mar, com fato, sem corrente, ainda que com um trajecto sinuoso, não haverá muita justificação para este registo.

O ciclismo é o segmento determinante na distância full. Não só pelo que se anda - ou não - mas, também, pelo como se fica para enfrentar a maratona final. Consegui recuperar 71 posições neste segmento e aproximar-me da frente da corrida, com o terceiro registo dia - em 4h45' - com uma média de 37,6 Km/h, Nada mau...

Melhor ainda com as sensações do início de corrida, passado que foi aquele primeiro Km de


adaptação à nova actividade. Tive mesmo de refrear o ritmo, pois os 4'30/Km em que seguianão correspondiam à minha capacidade actual.

Registei a segunda melhor corrida do dia - a melhor foi a do vencedor da prova - mas, ainda assim, insuficiente para os lugares de pódio - a 4" do 4º lugar e a 40" do 3º lugar. A Helena ainda me deu nota de estar próximo do atleta que me antecedia mas, apesar do esforço e do tempo recuperado naquele último quilómetro, acabei por não lograr apanhá-lo.

Terminei assim na 5ª posição, com 9h51'52". Baixei pela primeira das 10h e estabeleci o meu recorde pessoal na distância. Ganhei uma slot para o Campeonato do Mundo no Hawaii mas, desta vez, por motivos vários e com pena, não me será possível ir à Big Island.

Suécia e Kalmar: altamente recomendáveis. Gostei da paz, da tranquilidade, da educação, da limpeza, da organização. Gostei muito, muito mesmo, do apoio do público - e eu já fiz Wales 3 vezes.

Pensem nesta prova. Mas apenas para 2028. Hoje, dia em que escrevo este post, abriram as inscrições. Hoje mesmo, estão esgotadas. Imaginem se fossem baratas!

Obrigado ao Coach Paulo Conde e à Helena, Pedro e Sílvia. Belos dias que passámos no Reino da Suécia. 

fotos: Pedro Machado e Catarina Lamego

terça-feira, 14 de abril de 2026

X Setúbal Triathlon

Há números marcantes. O número dez é um deles e assinala efemérides de vária ordem. Este ano o Setúbal Triathlon marcou a sua décima edição. Cresceu de forma sustentada, adaptou-se às dificuldades. Umas vezes foi o mau tempo, outras uma estrada cortada, outras ainda as restrições que o COVID trouxe às nossas vidas.

Não fez este caminho sozinho. Fê-lo com o Município de Setúbal, com os voluntários e com os atletas, que soube conquistar a cada prova.

Este ano homenageou os totalistas - éramos 35 - com uma T-shirt e uma medalha, ambas exclusivas e personalizadas. Gesto simples mas, um detalhe tão gratificante e importante, que ilustra o porquê do Setúbal Triathlon ser uma referência na comunidade. Grato HMS!


Desportivamente posso dizer que as coisas correram bastante bem. A natação teve alguma complexidade, porque o vento arrastou uma bóia da sua posição inicial, obrigando muita gente a fazer mais distância do que a prevista. Mas, ainda que indesejáveis, são contingências da prova. O registo de 42', um bom bocado acima do que habitualmente gasto neste segmento, é explicado por esse facto.

O ciclismo foi extremamente exigente devido ao vento muito forte que soprava. Havia zonas - especialmente na Luísa Todi - em que pedalar nos aerobars era algo demasiado arriscado.

 Ainda assim, consegui um bom desempenho - 2h33' - tendo recuperado da posição 299 para a 67 neste segmento.

A corrida final, feita em 1h30', trouxe-me excelentes sensações, ainda que a luta contra o vento se tenha mantido. Não consegui acercar-me da liderança do Agegroup mas, ainda assim, fiquei satisfeito com o desempenho e com boas perspetivas para o que se segue na agenda - o Ironman Kalmar - Suécia, em Agosto.

Em suma, uma prova bem conseguida, alinhada com o definido com o meu treinador Paulo Conde - Ironconde: 4h52; 2º AG 55-59; 71º à geral (em cerca de 800 atletas).

Obrigado a todos os que encheram as ruas de Setúbal e, de uma forma ou outra, deram o seu apoio.

As fotos são da Rita Ramos, Carlos Maia, Pedro Machado e revista Triatl3ta.

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Agadir - o reino da luz

Ontem cumpria-se um ano da queda feia no Ironman Hawaii, que me deixou com 7 costelas fraturadas e a bacia partida em 3 sítios. Era portanto uma boa data para me por à prova no 70.3 Agadir.

Agadir era a nova localização e aposta da prova marroquina, depois de alguns problemas com o local original - Tanger. Para quem tivesse dúvidas sobre esta localização nenhuma restou no final do dia de ontem. Em todas as ações era visível o empenho da organização em dar o melhor de si em prol dos atletas. Algo amplamente conseguido, com destaque especial para a qualidade das estradas - as melhores onde alguma vez competi - e para a zona pós-prova que mais parecia uma tenda para uma festa de casamento.

Agadir é uma cidade voltada para o turismo, com boas infraestrturas e um custo de vida barato para nós portugueses. Ah... e sabem fazer café espresso, ainda que seja, talvez, o único bem alimentar mais caro do que em Portugal.

Quanto à prova, a natação saiu-me invulgarmente bem. O percurso, rectangular, bem marcado, desenhado numa baía abrigada, com água a 22C. Fiz 33' saindo em 8º do meu Agegroup.

Ciclismo em estradas imaculadas, num percurso ondulado, que chegava bem perto do aeroporto. Fiz o melhor segmento do dia no meu escalão com média superior a 37 Km/h, o que me permitiu começar a correr na segunda posição e rapidamente liderar a prova.

No entanto, algo estranhamente, quebrei perto do Km 12. O avanço de cerca de 4' de que dispunha desapareceu e fui ultrapassado por um atleta alemão, vindo a terminar com 4h38, depois de uma corrida em 1h39, bem longe do que o que consigo fazer.

No que respeita a slots para o Campeonato do Mundo de 2026, a Ironman alterou as regras. Criou o que chama Performance Pool, que não é mais do que uma lista geral de todas as marcas dos atletas que, no entanto, são ponderadas em função da idade dos mesmos. Deste modo, surgia como o segundo da lista, sendo as slots disponíveis mais do que suficientes para me abranger.

Na véspera da prova tinha decidido, convictamente, de que não aceitaria a slot, caso tal viesse a acontecer. No dia D, ontem... Vacilei! :-)

Já tenho assim a época 2026 definida: Setúbal Triathlon, IM Kalmar, e o Mundial de 70.3 em Nice. Para já venham uns dias de descanso, no que ao treino diz respeito.