terça-feira, 25 de agosto de 2026

Sub 10

A minha última prova na distância Full tinha acontecido em 2023, em Langkawi na Malásia, então com vitória no AG, o que me levou a Kona no ano seguinte. Contudo, o Hawaii 2024 foi uma prova de má memória, uma vez que, uma queda no ciclismo me impediu de terminar. 

Estava assim bastante expectante sobre o meu desempenho em Kalmar mas ia com a convicção de poder baixar da barreira das 10 horas.

A natação ficou aquém das minhs expectativas. Apontava para um registo a rondar 1h15' mas não fiz melhor do que 1h19'. Numa prova em mar, com fato, sem corrente, ainda que com um trajecto sinuoso, não haverá muita justificação para este registo.

O ciclismo é o segmento determinante na distância full. Não só pelo que se anda - ou não - mas, também, pelo como se fica para enfrentar a maratona final. Consegui recuperar 71 posições neste segmento e aproximar-me da frente da corrida, com o terceiro registo dia - em 4h45' - com uma média de 37,6 Km/h, Nada mau...

Melhor ainda com as sensações do início de corrida, passado que foi aquele primeiro Km de


adaptação à nova actividade. Tive mesmo de refrear o ritmo, pois os 4'30/Km em que seguianão correspondiam à minha capacidade actual.

Registei a segunda melhor corrida do dia - a melhor foi a do vencedor da prova - mas, ainda assim, insuficiente para os lugares de pódio - a 4" do 4º lugar e a 40" do 3º lugar. A Helena ainda me deu nota de estar próximo do atleta que me antecedia mas, apesar do esforço e do tempo recuperado naquele último quilómetro, acabei por não lograr apanhá-lo.

Terminei assim na 5ª posição, com 9h51'52". Baixei pela primeira das 10h e estabeleci o meu recorde pessoal na distância. Ganhei uma slot para o Campeonato do Mundo no Hawaii mas, desta vez, por motivos vários e com pena, não me será possível ir à Big Island.

Suécia e Kalmar: altamente recomendáveis. Gostei da paz, da tranquilidade, da educação, da limpeza, da organização. Gostei muito, muito mesmo, do apoio do público - e eu já fiz Wales 3 vezes.

Pensem nesta prova. Mas apenas para 2028. Hoje, dia em que escrevo este post, abriram as inscrições. Hoje mesmo, estão esgotadas. Imaginem se fossem baratas!

Obrigado ao Coach Paulo Conde e à Helena, Pedro e Sílvia. Belos dias que passámos no Reino da Suécia. 

fotos: Pedro Machado e Catarina Lamego

terça-feira, 14 de abril de 2026

X Setúbal Triathlon

Há números marcantes. O número dez é um deles e assinala efemérides de vária ordem. Este ano o Setúbal Triathlon marcou a sua décima edição. Cresceu de forma sustentada, adaptou-se às dificuldades. Umas vezes foi o mau tempo, outras uma estrada cortada, outras ainda as restrições que o COVID trouxe às nossas vidas.

Não fez este caminho sozinho. Fê-lo com o Município de Setúbal, com os voluntários e com os atletas, que soube conquistar a cada prova.

Este ano homenageou os totalistas - éramos 35 - com uma T-shirt e uma medalha, ambas exclusivas e personalizadas. Gesto simples mas, um detalhe tão gratificante e importante, que ilustra o porquê do Setúbal Triathlon ser uma referência na comunidade. Grato HMS!


Desportivamente posso dizer que as coisas correram bastante bem. A natação teve alguma complexidade, porque o vento arrastou uma bóia da sua posição inicial, obrigando muita gente a fazer mais distância do que a prevista. Mas, ainda que indesejáveis, são contingências da prova. O registo de 42', um bom bocado acima do que habitualmente gasto neste segmento, é explicado por esse facto.

O ciclismo foi extremamente exigente devido ao vento muito forte que soprava. Havia zonas - especialmente na Luísa Todi - em que pedalar nos aerobars era algo demasiado arriscado.

 Ainda assim, consegui um bom desempenho - 2h33' - tendo recuperado da posição 299 para a 67 neste segmento.

A corrida final, feita em 1h30', trouxe-me excelentes sensações, ainda que a luta contra o vento se tenha mantido. Não consegui acercar-me da liderança do Agegroup mas, ainda assim, fiquei satisfeito com o desempenho e com boas perspetivas para o que se segue na agenda - o Ironman Kalmar - Suécia, em Agosto.

Em suma, uma prova bem conseguida, alinhada com o definido com o meu treinador Paulo Conde - Ironconde: 4h52; 2º AG 55-59; 71º à geral (em cerca de 800 atletas).

Obrigado a todos os que encheram as ruas de Setúbal e, de uma forma ou outra, deram o seu apoio.

As fotos são da Rita Ramos, Carlos Maia, Pedro Machado e revista Triatl3ta.

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Agadir - o reino da luz

Ontem cumpria-se um ano da queda feia no Ironman Hawaii, que me deixou com 7 costelas fraturadas e a bacia partida em 3 sítios. Era portanto uma boa data para me por à prova no 70.3 Agadir.

Agadir era a nova localização e aposta da prova marroquina, depois de alguns problemas com o local original - Tanger. Para quem tivesse dúvidas sobre esta localização nenhuma restou no final do dia de ontem. Em todas as ações era visível o empenho da organização em dar o melhor de si em prol dos atletas. Algo amplamente conseguido, com destaque especial para a qualidade das estradas - as melhores onde alguma vez competi - e para a zona pós-prova que mais parecia uma tenda para uma festa de casamento.

Agadir é uma cidade voltada para o turismo, com boas infraestrturas e um custo de vida barato para nós portugueses. Ah... e sabem fazer café espresso, ainda que seja, talvez, o único bem alimentar mais caro do que em Portugal.

Quanto à prova, a natação saiu-me invulgarmente bem. O percurso, rectangular, bem marcado, desenhado numa baía abrigada, com água a 22C. Fiz 33' saindo em 8º do meu Agegroup.

Ciclismo em estradas imaculadas, num percurso ondulado, que chegava bem perto do aeroporto. Fiz o melhor segmento do dia no meu escalão com média superior a 37 Km/h, o que me permitiu começar a correr na segunda posição e rapidamente liderar a prova.

No entanto, algo estranhamente, quebrei perto do Km 12. O avanço de cerca de 4' de que dispunha desapareceu e fui ultrapassado por um atleta alemão, vindo a terminar com 4h38, depois de uma corrida em 1h39, bem longe do que o que consigo fazer.

No que respeita a slots para o Campeonato do Mundo de 2026, a Ironman alterou as regras. Criou o que chama Performance Pool, que não é mais do que uma lista geral de todas as marcas dos atletas que, no entanto, são ponderadas em função da idade dos mesmos. Deste modo, surgia como o segundo da lista, sendo as slots disponíveis mais do que suficientes para me abranger.

Na véspera da prova tinha decidido, convictamente, de que não aceitaria a slot, caso tal viesse a acontecer. No dia D, ontem... Vacilei! :-)

Já tenho assim a época 2026 definida: Setúbal Triathlon, IM Kalmar, e o Mundial de 70.3 em Nice. Para já venham uns dias de descanso, no que ao treino diz respeito.







domingo, 19 de outubro de 2025

70.3 Cascais | Relay

Já por diversas vezes tenho passado ao lado do Ironman Cascais sem nunca nele ter conseguido participar. Umas vezes, pela proximidade temporal de outras competições - como IM Hawaii ou IM Malaysia - outra, devido à pandemia, então no ano em que estive efetivamente inscrito.

Mas, foi desta!

Já não me recordo do motivo - a idade não perdoa - que nos levou, à minha mulher Helena, ao Pedro Machado e a mim próprio, desafiar-nos a fazer isto numa estafeta. O que é certo é que lá nos inscrevemos, sob o nome Team Bullets Relay, ainda que, de balas não tenhamos muito.

A minha única experiência em estafetas nestas andanças havia sido há anos. Ainda no século passado, no Triatlo de Oeiras, onde então fiz uma estafeta com a Helena - ela na natação e eu no resto - a qual acabaríamos mesmo por ganhar.

Agora as coisas eram diferentes. Ela nadaria, eu teria a meu cargo o ciclismo e o Pedro asseguraria a corrida final.

Posto isto, Sábado lá nos apresentámos à partida, sob um ambiente magnífico e uma meteorologia a prever um dia de excelência.

A Helena fez uma natação muito competente em 30'29" - o que era o 3º melhor registo entre todas as estafetas presentes.

Recebi assim o testemunho num cenário incomum para mim, pois tinha muito poucos atletas na minha frente. Andei o possível, sem grandes preocupações de me preservar para o que quer que fosse, uma vez que não teria de correr a seguir. Fiz um registo de perto de 2h25', com uma média de cerca de 37 Km/h - O 2º melhor tempo entre as estafetas.

Entregava assim o testemunho ao Pedro na liderança da competição das Estafetas Mistas e apenas com uma estafeta masculina à nossa frente. Ele acabaria por manter essa posição, fruto de uma meia maratona corrida em 1h26'.

Fica uma experiência diferente, divertida, numa outra forma de viver por dentro a magia do triatlo de longa distância.

A próxima prova será já para a semana e marcará o encerramento da época de 2025. O destino será África, no 70.3 Agadir.


Fotos: João Serôdio e Beatriz Carmo

terça-feira, 23 de setembro de 2025

Regresso

Ontem foi dia de retomar a competição. Esta foi uma época focada na recuperação da forma desportiva, afetada por um período de paragem forçada e, portanto, com pouca acção competitiva.

Havia feito o Setúbal Triathlon apenas com o fito de terminar e assim manter a minha condição de totalista. Todavia, então as sensações foram melhores do que o esperado e, não fosse um furo, teria tido uma classificação mais interessante.

Ontem estive na segunda etapa da HMS Sports Series - o Sines Triathlon, na distância T100. O dia estava muito ventoso, o que trouxe um acréscimo de dificuldade, tanto no ciclismo como na corrida. Na natação apenas o largo número de atletas presente aumentou a complexidade do segmento.

A natação correu dentro do esperado, com cerca de 37' para cumprir os 2 Km do percurso.

No ciclismo marquei o melhor registo do dia no meu Agegroup [55-59], o que me permitiu ganhar bastantes posições e entrar na discussão pelo pódio. Não do primeiro lugar, onde o nivel foi altíssimo, mas com alguma esperança pelos restantes dois.


Mas, para que tal acontecesse, na corrida final, teriam de surgir quebras nos meus adversários diretos, ou eu fazer um registo acima da minha capacidade atual.

Acabei por garantir a terceira posição do pódio com um minuto de vantagem sobre a quarta posiçao.

Relativamente à edição do ano passado gastei mais 12'. No entanto as provas não são comparáveis, atentos factores como o vento forte; o número de atletas (1100 aproximadamente); a extensão do Parque de Transição, o meu nivel desportivo e, também, o condicionamento que ontem levava no meu plano de prova.

Em suma, saio deveras satisfeito de Sines, a olhar já para o 70.3 Agadir e para o "aquecimento" que será a minha participação numa estafeta, uma semana antes, no 70.3 de Cascais.

Fotos da Rita Ramos