segunda-feira, 26 de maio de 2014

Tri Challenge

Em que outra modalidade desportiva seria possível juntar atletas de várias zonas geográficas do país, de clubes diferentes, com prestações desportivas distintas, para, em conjunto, fazer um treino de 5 horas? Pois... possivelmente em muito poucas que não o triatlo.



O Tri Challenge foi isso mesmo. Um treino para atletas de Longa Distância, organizado pelo atleta Pedro Quintela e realizado em Pinheiro Grande - Chamusca. Trajectos e distâncias definidas, mas cada um adaptava a coisa ao seu andamento e àquilo que pretendia fazer. Atletas internacionais, antigos campeões nacionais, rookies, veteranos compulsivos... havia de tudo, com um denominador comum: triatlo! 

Apesar de solarenga, a manhã estava algo fria e ventosa. Entrar no Tejo para nadar não era o que mais apetecia. Mas, após meia dúzia de braçadas a coisa aqueceu e cumpriu-se a distância na ida e volta à margem oposta, feita por duas vezes. Eu fiz cerca de 1500m.


Percurso de corrida

Depois a transição mais calma do mundo. Deu para vestir roupa seca e saltar para cima da bicicleta - no caso a Specialized Transition de contra-relógio, para percorrer cerca de oitenta e poucos quilómetros, num trajecto entre Pinheiro Grande e Constância, em estrada bem rolante, na qual se chegou a rolar a 50Km/h.

Por fim corrida na margem do Tejo, em terreno misto de alcatrão e terra. Eram 7 voltas de 3Km, tendo eu optado por cumprir apenas 5 delas, em ritmo tranquilo, à conversa com o Rui Sousa, que me empolgava com a sua descrição do Titan, a prova em que competirei no próximo mês de Setembro. Dizia ele: - Se só pudesse escolher uma prova por ano para fazer, seria o Titan! Está tudo dito e as minhas expectativas ficaram em alta!

Para terminar, um banho, no rio pois claro, e um belo almoço ribatejano, com sopa, carne grelhada e um arroz doce perfeito, para aquilo que é o meu conceito daquela sobremesa.

Para a semana será a última "sova" antes do Iberman. Oleiros será, uma vez mais, o cenário escolhido.


O filme é do Pedro Ribeiro Gomes a foto da Rita Ramos

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Tomar café em Valada


À saída de Valada
Na aproximação à minha participação no Iberman 2014 - faltam 4 semanas, os treinos longo de ciclismo vão continuando e os destinos escolhidos vão variando. Isto para não me saturar das habituais zonas de treino, passando pelas mesmas estradas, e olhando as mesmas paisagens.



Há já algum tempo que pretendia explorar a zona da lezíria ribatejana, a zona que tantas vezes o Tejo alaga e enriquece. Assim, tracei um percurso com cerca de 160Km, cujos quilómetros iniciais se estendiam pela margem norte do Tejo até Valada. Foi precisamente nesta localidade que efectuámos uma breve paragem para beber um café, junto ao Tejo, o qual haveríamos de cruzar, poucos quilómetros à frente, pela soberba ponte Rainha D. Amélia.

Ponte Rainha D. Amélia
Esta obra de engenharia, foi inaugurada em 1904 pelo Rei D. Carlos. Inicialmente destinava-se à circulação ferroviária, tendo sido posteriormente convertida numa ponte para circulação rodoviária. Com quase 1Km de extensão, tem apenas uma via. Felizmente, nas laterais possui, de um lado, uma via pedonal, do outro, uma ciclovia.




Já na margem sul do Tejo, em estradas completamente planas, foi tempo de colocar toda a força nos pedais para alcançar médias simpáticas. A partir de Vila Franca de Xira aumentou o trânsito e o ritmo, necessariamente, teve de diminuir.

Para o fim, ficou a sempre desafiante subida de Loures para Albogas, mais complicada de fazer quando a abordamos já com 150Km nas pernas.

Parte da equipa do CNCVG
Foi mais um excelente treino de ciclismo, feito na companhia de alguns dos meus colegas de equipa do CNCVG, que conseguem sempre transformar estas ocasiões em excelentes momentos. Obrigado.





Fotos do Ricardo Silva, perto de Valada e de Manuel António Cruz em Olhares.com

domingo, 4 de maio de 2014

Mais ou menos...

No retorno do Parque das Nações numa das quatro voltas de ciclismo
Ontem fiz o meu primeiro triatlo da época de 2014. E logo para abrir um longo, o half ironman de Lisboa. As condições de competição foram particularmente adversas, devido ao vento forte e ao calor. A isto juntei um incidente com um gel, que adiante contarei, e que também não ajudou em nada o meu desempenho.

O Parque das Nações é uma zona ímpar para este tipo de eventos. Um enquadramento fantástico, centenas e atletas, público, sol. Tudo conjugado para uma grande jornada.

Natação ao meu nível. Nadei para cerca de 34' os 1900m do percurso. Alguma perda de tempo para conseguir sair da água, por aquela rampa estreita. Paciência... Se fosse mais rápido na água teria lá menos gente à minha frente. Não te queixes e vai pedalar. :-)

O ciclismo estava complicado. Na direcção de Santa Iria da Azóia era difícil pôr a máquina a rolar a mais de 30/32 Km/h. Já no sentido, inverso a coisa subia para os 48/50 Km/h. Na descida do IC2, o pânico... A roda dianteira, de perfil alto - 82mm, e o vento não jogam bem e a bicicleta ficava muito instável, pelo que, apenas na primeira descida me posicionei sobre os extensores.

Aproveitava a zona após o retorno do Parque das Nações para me alimentar e, foi ali, no início da segunda volta que fiz asneira. Ao retirar a fita que prendia um dos géis ao guiador rebentei o invólucro. Conclusão: era gel derramado por todo o guiador, com especial incidência sobre o apoio dos braços. Tive mesmo que parar e usar a água do bidão para a limpeza. Perdi tempo, perdi um gel, perdi água e ficou tudo pegajoso. Qualquer coisa que eu agarrasse ficava-me colada às mãos. Terei perdido uns 2' com a asneira e comprometi o meu plano de hidratação/nutrição.

Concluído o segmento em menos de 2h30' - média próxima dos 37 Km/, era altura de começar a correr. Comecei a 3'50"/Km. Nada mau. Mas aí surgia mais uma contrariedade: o primeiro abastecimento não tinha água!!! Apenas Coca-cola e géis. Quem é que ingere um gel a correr sem beber água, ainda para mais num dia em que o termómetro rondava os 30ºC? Pois. Ninguém. Água mesmo, só perto do Km 2,5 e aí, até estava fresca. Felizmente!

Mas o desempenho já estava comprometido e o ritmo começou a cair. Estava acabado. Portanto, pouco mais me restava do que manter o modo poupança até final. Na última volta lá consegui voltar a acelerar um pouco, para terminar na 73ª posição da geral entre cerca de 580 atletas. O registo de 4:36:29 deu 7º lugar no grupo de idade [45-49].

Tinha como objectivos nadar ao nível, pedalar a fundo e correr o possível. Cumpri-os, mas o possível da corrida foi pouco para mim e eu e o vento não somos particulares amigos. Ainda que numa prova queiramos fazer sempre o melhor possível, o Longo de Lisboa não era um objectivo e as minhas recentes sensações diziam-me não estar no melhor dos momentos. Mesmo assim, a corrida desiludiu-me um pouco.

Natação (1900m): 35'22"
T1: 1'25"
Ciclismo (90 Km): 2h29'09"
T2: 2'05"
Corrida (21,1Km): 1h28'28"
Final:  4h36:29

No que respeita à prova, é uma prova de que gosto particularmente e cuja Organização é sempre envolvida e preocupada com o bem estar dos atletas. Gostei dos muitos voluntários presentes, da feira do triatlo, da água fresca nos abastecimentos. Não gostei do parque de transição não alcatifado, do posicionamento dos abastecimentos na corrida e do check-in demorado.

Mau o timming de saída dos resultados... na manhã do dia seguinte!!! Mas isso será responsabilidade da Federação... Deve ser inadaptação àquele sistema de cronometragem novo que OS ATLETAS PAGARAM.

Agora seis semanas para me por em condições de enfrentar o Iberman. Vamos ver.

A foto é da Rita Ramos

terça-feira, 15 de abril de 2014

O Jogo do Empeno

Os manguitos para enfrentar o frio matinal do interior centro
Após cinco estágios de ciclismo já realizados em Oleiros nos últimos dois anos, diz-nos a tradição que, nunca, todos os que partem conseguem chegar ao fim. A extensão do treino aliado ao desnível acumulado têm criado dificuldades acrescidas. A isto se chama o "Jogo do Empeno". Quem será o falecido resgatado desta edição?


Desta vez, traçámos o percurso à descoberta. Nunca antes havia passado em 80% das estradas que utilizámos. Optámos, essencialmente por estradas municipais que unem pequenas aldeias espalhadas pelas serranias do pinhal central. Tal não impede que nos deparemos com vias de piso imaculado, mas faz também com que o traçado serpenteie ao belo prazer da orografia dos montes, transformando assim os quilómetros numa autêntica montanha-russa, algo a que na gíria velocipédica se denomina de rompe-pernas.

Isto era a parte fácil, porque, na difícil tínhamos quatro rampas, que configuravam contagens de montanha de 2ª categoria, num percurso com cerca de 160Km e 4040m de desnível positivo acumulado.

Deixo-vos a ilustração dessas mesmas subidas:

De Oleiros para Isna, logo para aquecer, são 6,3 Km, que nunca passam dos 10% de inclinação.








Depois, a subida do Açor, com saída perto da aldeia de Enxabarda e uma ascensão de 5,4Km. Aqui comecei a sentir os primeiros estragos.


Cruzado o rio Zêzere, seguindo na direcção da barragem de Santa Luzia, com Dornelas do Zêzere para trás, foram 7,4Km de ascensão e uma grandiosa paisagem. Já foste...


Por fim, a subida de Cambas, onde já cheguei muito desgastado. Acabei por recorrer a uma boleia de 1,6Km até ao alto. As pernas estavam vazias e qualquer alteração de desnível me causava dificuldade de progressão. Cambas, com 4,5Km de extensão e alguns troços íngremes, não era o melhor dos locais para chegar assim.


Ultrapassada a última dificuldade, foi tempo de descer até Oleiros e recuperar para voltar a casa. Antes do Iberman conto tornar lá, para mais uns quilómetros, por estradas pouco movimentadas, de piso excelente, paisagens fantásticas e nunca, mas nunca, planas.

Foto da Rita Ramos

terça-feira, 25 de março de 2014

Desenferrujando a Transition!

Machado, Carmo, Serôdio... O Monteiro já havia passado
Literalmente! A Specialized Transition não rolava desde o Iberman. Havia, portanto, seis meses. Já se notavam resquícios de oxidação nas manetas de travão que impediam o seu pleno funcionamento. Portanto, nada melhor que arranjar um trajecto óptimo para as suas características de roladora e fazer Évora-Cacilhas com o grupo da minha equipa de Triatlo - a melhor equipa de triatlo do mundo...

Évora porque havia a necessidade de um de nós lá ir buscar uma bicicleta. Cacilhas porque seria a zona na qual cruzaríamos o Tejo, para aproveitar ao máximo a companhia do Paulo Lamego.

À partida éramos quatro com a companhia de mais dois amigos que nos acompanharia apenas até Vendas Novas. Pelo caminho apanhámos o Miguel Gomes que nos acompanharia até Pegões e pouco depois o Paulo Lamego que nos abandonaria em Coina.

Bons ritmos até ao Montijo. A partir daí o trajecto tornou-se mais urbano, com mais trânsito e a média caiu. Chegados a Cacilhas constatámos que só haveria ferry dali a mais de duas horas. Arrumámos a tralha no carro e seguimos pela ponte 25 de Abril, deixando por fazer cerca de 15Km que nos levaria ao destino inicialmente previsto.

Foi essencialmente um treino para fazer rolar as máquinas em posição de contra-relógio. Os triatlos longos vêm aí. 

Foto da Rita Ramos que gentilmente conduziu para nós