quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Dez coisas que um BTTista não pode deixar de fazer

Não quis deixar de partilhar este fantástico video sobre uma das actividades que mais gosto de praticar: BTT. 



Dei comigo a contar, das dez, as que já tinha efectivamente concretizado. E o resultado é este:

1. Montar uma bicicleta

Afirmativo. Mandei pintar o quadro da minha velhinha Kona Kula e adaptei uma montagem para a Helena a utilizar em estrada. Do primeiro ao último parafuso fui que a montei.

2. Andar à noite

Sim. Por duas vezes. Uma em Sintra, na véspera do meu filho Gonçalo nascer. Aliás, foi chegar a casa às 01h00 e acordar para ir para a maternidade às 03h00... A outra foi nas 24h de Proença-a-Nova, em que participei a solo.

3. Pedalar na neve

É brutal. Então em neve virgem, num dia de sol, é algo que apenas experimentando se percebe o gozo que dá...

4. Pedalar num país estrangeiro

Espanha, França e Itália foram os países em que andei de BTT. Noutros também já andei de asfáltica.

5. Dormir com a bicicleta.

Sim... Nos caminhos de Santiago e nas saídas à Estrela, quando pernoitávamos na Casa do Guarda. Na gélida Casa do Guarda... A bike tem a vantagem de não nos puxar a coberta...

6. Explorar um novo trilho

Ui... Tanta e tanta vez. Algo que a utilização do GPS veio diminuir, o que, diga-se, também não me preocupa muito. Andar com a bike às costas a pular muros e atravessar ribeiros não é o que mais gosto...

7. Cruzar uma montanha

Várias. No Caminho de Santiago, por exemplo, mas, também em Portugal, com a travessia de Castanheira de Pêra à Torre, cruzando as Serras da Lousã, Açôr e Estrela. Dois dias brutais de BTT.

8. Participar em provas

Várias. Desde os primeiros tempos do Cross Coutry até às provas por etapas, como Ironbike, Transportugal ou Geo-Raid.

9.Andar num Bike Park

Também não é a minha onda, mas tive de experimentar, claro. Foi em Monsanto, mas com muita, muita tranquilidade, a ver se não ficava com o guiador colado aos dentes!

10. Pedalar em direcção ao Mar

Nas falésias da Costa Vicentina - Transportugal 2003
Pois claro. Fiz o Transportugal. De Bragança a Sagres, sempre a pedalar. Primeiro pela raia até que no último dos onze dias vimos o mar, na bela Costa Vicentina.

Ou seja, concluo que me posso considerar um homem realizado, no que ao BTT diz respeito. Mesmo assim, tenho uns quantos projectos para levar a cabo. Ideias "estúpidas" não faltam :-)


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

32 anos depois...

Aqueles que puderam estar presentes
Desta vez, o post é sobre basquetebol, a modalidade que pratiquei durante mais de 15 anos.

No passado Sábado promovemos o reencontro de alguns daqueles que integraram, durante a década de 80, as equipas de basquetebol do Atlético Clube de Portugal - iniciados, juvenis e juniores disputando uma animada partida de basquetebol, seguida de um jantar revivalista, no qual pudemos recordar os momentos únicos que partilhámos.

Não éramos, seguramente, dos mais talentosos jogadores nacionais. Contudo, as nossas equipas sempre se caracterizaram por estar entre as melhores e com elas disputar, ponto a ponto, o que quer que estivesse em disputa.

As nossas equipas apresentavam grande capacidade defensiva. Enchiam o campo, sempre pressionando os adversários, obrigando ao erro e usando o contra-ataque como arma principal. Para além disso, tínhamos entre nós bons lançadores e todos disputávamos os ressaltos, tanto defensivos como ofensivos, essa tão importante componente do basquetebol.
Acho que aqui foi quando "algo" me "mordeu" um isquiotibial... 
Mas, a nossa grande arma foi, na minha opinião, a grande amizade existente entre todos nós. Era isso que, a cada minuto de treino ou segundo de jogo nos levava a superar as nossas capacidades. Era por isso que não falhávamos um treino e foi também por isso que alcançámos objectivos importantes, dos quais destaco um título regional e duas presenças em Final Four,  entre outros.

Um reencontro, 32 anos depois, dirá tudo sobre esta mística. Não? Para mim, a única diferença é que parece que a tabela está 50cm mais alta... :-)


As fotos foram tiradas pelo Paulo Solano

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Há coisas que nunca mudam!

Aos 1500m de altitude, deitado atrás de umas carquejas
 para me proteger do vento N algo frio. Técnicas de pastor..
Ontem foi dia de BTT. Um dia especial, porque foi na Serra da Estrela e, ainda mais especial, porque foi com amigos de há 20 anos, de quando me iniciei nas lides do ciclismo de montanha, a subir e a descer rampas íngremes e longas, em sítios que muitos julgavam de loucos.

Uma volta de bicicleta, totalmente informal, conseguiu  de forma espontânea juntar mais de 20 pessoas, montando das mais modernas bicicletas a autênticos clássicos mas, felizmente, nenhuma delas com as aberrantes rodas 29". :-)

Gosto desta vertente do BTT, gosto das cores de Outono na Serra da Estrela e gosto muito das pessoas com quem ontem tive o privilégio de partilhar o meu dia. Só isso explica acordar às 5h00 da manhã e fazer 700Km de carro.


Cores de Outono com a Guarda ao fundo, do lado direito
Quanto ao percurso, com partida e chegada a Manteigas, posso dizer que passou nos locais mais emblemáticos da Estrela como Covão da Ponte, Santinha, Mondeguinho, Observatório e a calçada que nos leva de forma vertiginosa de regresso a Manteigas.

Espero que, não volte de novo a passar um ano até voltar a levar a BTT para a terra!



Fotos do Rui Sousa

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O meu Ironman em estatísticas



Talvez por ser originário de uma modalidade como o basquetebol, na qual as estatísticas e a sua análise são preponderantes, gosto bastante de utilizar esse tipo de ferramentas para caracterizar o meu desempenho, quer durante o evento, quer na preparação para o mesmo.

Assim, deixo-vos umas breves notas estatísticas sobre a minha participação no Iberman e os sete meses que a antecederam.
Na prova

Fato Sailfish, equipamento ZeroD, sapatilhas Asics, bicicleta Specialized Transition Pro, com andamentos 54x39 e 11x23.

Tempo final: 11h10'28", 47º classificado, 3º do grupo de idade [45-49], dentro dos primeiros 8% de todos os atletas chegados.
  • Natação: 1h15'58", 200º registo do dia, dentro do primeiro terço do pelotão.
  • Ciclismo: 5h45'21", 39º registo do dia, dentro dos primeiros 7% do pelotão.
  • Corrida: 4h01'40", 100º registo do dia, dentro dos primeiros 18% do pelotão.
  • T1: 4'25"; 109º registo do dia, dentro dos 18% mais rápidos.
  • T2: 3'09"; 174º registo do dia, dentro do primeiro terço mais rápido.
Chegada à T2. Só falta correr uma maratona!
Na natação demorei mais 19' do que o mais rápido, no ciclismo mais 32' e na corrida mais 46'. Fiquei a 7' e 22", do segundo e primeiro do meu escalão, respectivamente. Ambos os atletas ultrapassaram-me no segmento de corrida.

Consumi 1.031C, na natação, 4.347C no ciclismo e 2.746C na corrida. Ingeri 6 pacotes de gel Powerbar, 4 barras e 3 pastilhas de sais ZipVit  no ciclismo. Na corrida foram mais 7 pacotes de gel. Água terão sido entre 8l a 9l.

Concluo que o bom desempenho no ciclismo foi chave para o resultado final.


No treino

Início da preparação: 04 de Março,  6.735 Km, 392h45',
  • Natação: 245 Km, 98h45', semana de maior volume: 12 Km
  • Ciclismo: 5.409 Km, 201h03', semana de maior volume: 421 Km
  • Corrida: 1.081 Km, 93h52', semana de maior volume: 62 Km
Deste o dia 15 de Julho pedalei, exclusivamente, na bicicleta de contra-relógio que utilizaria.

Foto: Helena Barros

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

A estreia no Ironman

Só falta amanhecer...
O meu grande objectivo desportivo de 2013 estava marcado para o dia 05 de Outubro - dia da implantação da República Portuguesa. Aconteceria em terras espanholas e seria a minha estreia na distância mítica do Triatlo - o Ironman, com 3,8Km a nadar, 180Km de bicicleta e 42,198Km de corrida, para encerrar em beleza.


Um cenário grandioso para abrir o dia em beleza
Depois de sete meses de preparação, sentia-me em excelente condição para enfrentar a distância, fruto do magnífico trabalho do Paulo Conde, que fez um planeamento do treino fantástico, no sentido de poder potenciar as minhas melhores características. Assim, as minhas expectativas estavam em alta. Queria não só levar de vencida a distância mas, também, estar entre os melhores do meu grupo de idade [45-49].

Assisti ao nascer do sol em plena praia e, pelas 8h15 soou o tiro de partida. Era tempo dos cerca de 700 atletas se fazerem ao caminho. O sol, ainda a nascer no enfiamento das bóias, dificultava a navegação. Talvez em função dessas dificuldades acrescidas o meu Garmin tenha registado 4,36Km em vez dos previstos 3,8Km. Ainda assim, o tempo final do segmento correspondeu à minha estimativa: 1h15'.


Numa das muitas subidas do percurso
Estava concluído o meu segmento mais frágil, ainda que, neste caso, o mais fácil da prova. Era tempo de montar a bicicleta de contra-relógio, e enfrentar o percurso que rumava a norte, divergindo na direcção de Pomarão e Mértola, já em Portugal, de onde desceríamos de novo para Vila Real de Santo António.




Vamos lá correr uma maratona...
O percurso foi de extrema exigência. Ora devido ao vento frontal que se fazia sentir nas zonas rolantes, ora devido ao sobe e desce constante que caracterizava a sua segunda metade. A dificuldade não estava nas subidas, mas antes, nas permanentes alterações de ritmo que a variabilidade do percurso introduzia. O segmento de ciclismo ficou ainda marcado por um erro num reabastecimento, que me levou a ficar sem água, pois, por engano, deram-me um bidão de bebida isotónica, algo que eu dispensava naquela altura.

Chegava a Vila Real de Stº António ao fim de 5h42, com uma média a roçar os 31Km/h, bastante boa face às dificuldades que o segmento encerrava. Estavam lançados os dados para a última dificuldade do dia. E que dificuldade viria a ser...


A cerca de 10Km do final
As coisas ainda começaram dentro do intervalo de ritmo que tinha definido para correr. Nessa altura assumi a liderança da prova no meu escalão. Contudo, depois de passar o sapal de Castro Marim, os viadutos de acesso à ponte sobre o Guadiana, primeiro, e a subida para Ayamonte, depois, arrasaram-me por completo.

Viria a perder essa mesma liderança, pouco antes de entrar num dos troços de terra batida do percurso. Mas o pior estava mesmo para vir. Primeiro, um pinhal com o piso em areia solta. Valia a caruma para tentar pisar em algo consistente. Depois, ao Km 33, dois quilómetros em plena praia, onde a maré subida nos obrigava a correr também na areia solta. Sinceramente, julgo que um IronMan já tem dureza suficiente. Não valia a pena terem-na exponenciado!



Feito!
A aproximação à meta foi feita com extrema alegria, "empurrado" pelo vibrante apoio do sempre muito público que os espanhóis conseguem reunir nestes eventos.

No final, 47º classificado, 3º do grupo de idade [45-49], em 11h10'28", com a enorme sensação de dever cumprido e grande vontade de repetir a distância. De facto o IM é único e só depois de concluirmos um podemos perceber a mística da coisa.

Agradecimentos especiais para a Helena, pela forma extremosa como cuidou do seu marido (eu) :-), para o João Serôdio, Rita, Gonçalo e Ivana (Gabriel e Guilherme incluídos) por se terem deslocado ao sul de Espanha para partilhar comigo estas 11h10' de momentos inesquecíveis e marcantes.


Pódio AGR [45-49]
Nota ainda para os meu colegas de equipa, Manuel Gonçalves que conclui, também com sucesso, a sua prova e João Lourenço, que me desafiou a participar mas, que por lesão se vim impedido de estar na linha de partida.

Fotos da Helena, Rita Ramos e João Serôdio