segunda-feira, 3 de junho de 2013

Tomar café em Areia Branca


A região Oeste está na rota dos meus treinos longos de ciclismo de preparação para o Iberman. Ontem foi mais um desses dias e o destino foi a praia de Areia Branca, ali para os lados da Lourinhã.

Esta é uma zona do país que conheço mal, apesar da proximidade. Vá-se lá perceber porquê... Desta vez optámos por realizar o caminho de ida pela EN 247 - via Ericeira, até chegarmos a Santa Cruz. Daí rumámos à Lourinhã e, um nadinha à frente estávamos a tomar um café, com vista para o Oceano.

No regresso fizemos uma má opção de trajecto. Deslocámo-nos para Este para depois tornar a Oeste sem ganhar distância para Sul, que era o nosso objectivo. Acabámos por passar em A-dos-Cunhados e voltar a Santa Cruz.

A partir daí rumámos a S. Pedro da Cadeira e Picanceira. Sempre a subir até atingirmos Mafra. Faltavam ainda as simpáticas subidas de Cheleiros e Sabugo para acabar de moer as pernas.

A gestão nutricional foi prejudicada pelo acrescento de quilómetros, pelo que terminei algo desgastado. A vontade de continuar a explorar as estradas do Oeste litoral continua. Peniche será o próximo destino para ir tomar café e, eventualmente, o limite para uma viagem de ida e volta em bicicleta. Ou quem sabe, Caldas da Rainha. A ver vamos.

Este era um fim-de-semana no qual havia previsto, há longos meses atrás, estar em Belfort - França, na disputa do Campeonato do Mundo de Triatlo Longo. Até tinha hotel marcado! Tal não foi possível. Em grande parte, essa dificuldade decorreu das condições de participação e dos critérios de qualificação impostos pela Federação de Triatlo de Portugal, assunto sobre o qual oportunamente escrevi aqui.

O ano passado, em Vitoria, a representação nacional de Agegroups teve cerca de 80 atletas - a mais numerosa representação nacional de sempre. Este ano, em Belfort teve 5. Factos...

Volvidos menos de seis meses constato, com tristeza, que tinha razão.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Regenerando


Naquela que foi  semana de regeneração do mesociclo do Triatlo de S. Jacinto, nem por isso deixou de haver um treino longo de ciclismo. Desta vez, por caminhos inabituais. O destino Setúbal onde, depois dos 106 Km de ciclismo, tivemos oportunidade de nos desafiar nas máquinas de remo do ginásio da CBSS, entre outras actividades.

Com saída de Sabugo, em Sintra, o percurso prometia não ter subidas dignas desse nome, sendo recheado de longas rectas. Só o vento, que soprava forte, podia constituir obstáculo.

Assim foi, sem novidade. Essencialmente a descer até Loures. A partir daí essencialmente plano. Em Alverca o João Serôdio esperava-nos e seguimos, em toada tranquila, até Vila Franca de Xira, onde cruzámos o Tejo. Entrávamos então na zona a que um tipo, na altura ministro, apelidou de "Deserto".

Ora bem, fizemos a conhecida recta do Cabo, até Porto Alto - 10 Km em recta, virando depois à direita, para outra infindável recta, na EN 118 - 15 Km em recta. Posto isto, Alcochete, Montijo, Pinhal Novo, Palmela e Setúbal, onde chegámos após 106 Km, percorridos em 3h17'.
Uma grande dupla da Ginástica Acrobática nacional...

Seguiram-se as competições de remo in-door. Apesar de ter melhorado o meu tempo nos 2.000 m em pouco mais de 3', acabei por voltar a perder com o meu adversário directo - o João Lourenço. É o que faz pôr-me a competir com tipos fortes, com mais de 190 cm...

Chega agora o tempo de voltar a bombar, com o objectivo focado no Campeonato Nacional de Triatlo Longo - Grupos de Idade, que se disputará em Caminha, em meados de Julho. Pelo caminho competirei nos Triatlos de Oeiras e de Pedrógão Grande.

Foto da Rita Ramos ilustrando uma brincadeira gímnica com a Mariana Barbosa

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Há dias assim: Fantásticos!

No pódio com o Miguel Fragoso e Paulo Margarido
Ontem, S. Jacinto - Aveiro, recebeu mais uma etapa do Campeonato Nacional de Triatlo Longo. Foi a terceira da presente temporada, mas apenas a primeira em que participei.


São Jacinto localiza-se no extremo da península que se estende desde Ovar, limitada a poente pelo oceano Atlântico e a nascente por um dos braços da ria de Aveiro, onde se realizou o segmento de natação. É um local bastante aprazível e um cenário fantástico para esta prova que cresce de popularidade ano após ano, especialmente junto dos atletas espanhóis - pena a FTP ter decidido duplicar o preço da inscrição.

Ia especialmente motivado para S. Jacinto devido às boas sensações recentes, tanto na bicicleta, como na pista de atletismo. Mesmo assim as coisas não começaram bem. Na água, tranquilo e sem grande esforço, mas também sem velocidade e, diz o meu Garmin, com mais 220m nadados - quem me manda andar ao esses! Logo aí fiquei com um atraso considerável relativamente aos meus principais adversários do escalão e também, com menos margem para o almejado registo final abaixo das 4h30'.
Segmento de ciclismo feito a fundo, em busca dos minutos perdidos na água

Esse atraso fez-me, desde logo, dar o meu melhor em cima da bicicleta, bem encaixado, a retirar os benefícios do bike fit que fiz há poucos meses com a CAFPT. As sensações eram muito boas e ia ganhando posições sucessivamente. Quando nos retornos me cruzava com os meus adversários, lá ia controlando o nosso posicionamento relativo. As coisas não estavam fáceis. Havia pelo menos seis dos mais fortes à minha frente, alguns com cerca de 7' de avanço...

Mesmo assim, consegui, ao longo dos 90Km de ciclismo, alcançar e ultrapassar alguns deles e ganhar terreno para os restantes. Entrei no Parque de Transição com um registo de 2h22' para os 90Km de ciclismo, cerca de 3' mais rápido daquilo que havia projectado inicialmente.

Chegava o momento da verdade, altura de checar as pernas e perceber como estariam elas para enfrentar os 21Km que faltavam. E as sensações foram perfeitas. Nos primeiros 10 Km, apenas num deles corri acima de 4'00/Km, para além de uma paragem para um xixi estratégico que me terá custado uns 30".

Alcancei o Rui Ferreira e chegava assim à segunda posição do escalão. À minha frente apenas o Miguel Fragoso com cerca de 3' de vantagem. Sabia que teria de estar muito bem e ele passar por algumas dificuldades, para que fosse possível alcançá-lo. A cerca de 5 Km do fim percebi que tal não iria acontecer e, como tal, limitei-me a manter o ritmo o mais vivo possível, para descolar o espanhol que me acompanhou durante boa parte do percurso e, também, para registar a minha melhor marca de sempre na distância.

Passados poucos minutos lá me esperava o pórtico de meta. Registava o tempo final de 4h24'04", que passa a ser o meu melhor na distância. Alcançava também o segundo lugar no escalão V2. Mas havia mais boas notícias, algumas das quais só me apercebi pouco depois. Era o 13º da geral e registava o terceiro melhor segmento de ciclismo do dia - o melhor de entre todos os atletas nacionais.

Chegava o tempo do merecido descanso. Tempo para fazer o tratamento às onze (!!!) feridas de cortes e/ou bolhas que tinha nos pés - foi o meu último half a correr sem meias, mais a massagem de recuperação, a cerimónia de pódio e o
almoço na companhia dos magníficos companheiros de equipa do CNCVG, que tornam estas andanças momentos ainda mais fantásticos: Paulo Lamego, Paulo Conde, João Lourenço, João Serôdio, Pedro Machado e Rita Ramos - o Miguel zarpou mais cedo.

Conto actualizar o post com fotos em competição, logo que tenha as mesmas disponíveis.


segunda-feira, 6 de maio de 2013

Extremo!

 pouco antes da saída,
junto aos maravilhosos bungalows do Parque de Campismo de Oleiros - um must!
No passado Domingo fiz um dos mais duros treinos de ciclismo em estrada de que tenho memória.

Com base em Oleiros, saímos com destino à Sertã numa estrada nova, a estrear, ainda com alguns troços inacabados. Um sobe e desce permanente onde predominavam os troços a descer. A partir da Sertã tomámos a mítica N2 - a estrada que liga longitudinalmente Chaves a Faro, com destino a Pedrógão Grande. O rompe pernas foi também uma constante mas, desta feita, essencialmente a subir.
Já numa das últimas subidas do dia,
perto de Unhais-o-Velho

O destino seguinte era Góis, alcançado também pela N2, depois da primeira subida longa do dia - com cerca de 10Km, a que correspondeu uma brutal descida, por uma estrada muito sinuosa, de curva e contra curva mas onde raramente era necessário tocar nos travões. Soberbo! Chegados a Góis rumámos a Arganil,  num falso plano que o calor forte tornava mais difícil, localidade esta onde nos detivemos para comer e comprar água.

Estávamos então no sopé da Serra do Açôr que iríamos começar a subir a partir de Folques. A íngreme estrada, que em tempos constituía o segmento de ciclismo do Triatlo de Cepos, levava-nos encosta acima, com passagem em Torrozelas - terra natal da minha bisavó Assunção, com vista para, na encosta oposta, Monte Redondo, também terra natal do meu avô Baptista.


Chegados ao topo cometeríamos um erro de navegação que nos faria perder mais de 30', cerca de 10Km e que acabaria por nos comprometer o sucesso no trajecto. Esperavam-nos estreitas e íngremes estradas de montanha, com passagens no fundo de vales, dos quais tínhamos de arrancar as nossas bicicletas à custa de muito esforço. Os andamentos 39X23 eram, definitivamente, curtos para tanta inclinação, mais propícia a máquinas de BTT. Contudo, acabaríamos por levar de vencidas todas estas rampas até alcançarmos Unhais-o-Velho.

Foi aqui que, algo desapontados, decidimos abortar a jornada. Estávamos a cerca de 40Km do destino, era tarde e já não tínhamos comida. Mesmo pesando o facto de cerca de 75% do percurso ser a descer de forma muito generosa, mandou o bom-senso arrumar as bicicletas no carro e regressar por este meio.
É mesmo montanha... o esplendor da Serra do Açôr

Foi uma pena não termos concluído este troço final, mas há que saber reconhecer quando a montanha é mais forte que nós.

Foi também um dia em que a electrónica me virou costas. Os dois GPS que levei decidiram não colaborar. O etrex HTC não me mostrava o track - a indicação do caminho a percorrer definido previamente. O 910Xt ficou cego e não via satélites, motivo pelo qual não permitia a navegação nem registava outros dados que não tempo e frequência cardíaca.

Mesmo assim, um excelente treino de quase 10h de ciclismo na companhia, excelente, do Barbosa, Conde, Serôdio, David e Isabel - estes dois quem afinal devem ter desfrutado mais, graças ao sábio by-pass que efectuaram, pouco depois de Pedrógão Grande.

Fotos da Rita Ramos

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Ai aguentas, aguentas!


Depois de muitos receios sobre as condições de mar permitirem, ou não, a realização do segmento de natação do Triatlo do Estoril, o mar apresentava-se chão, mesmo apesar do vento gelado que soprava de Norte. Dessa forma, não havia dúvidas, e perto de 300 atletas lançaram-se à água para o Triatlo do Estoril, que regressava assim ao Calendário Nacional. Ainda bem!

Apesar do mar estar chão, a água estava gelada. Nos primeiros 100m tive vontade de voltar para trás, tal era o aperto que sentia nos malares, devido ao frio. Ao fim desse tempo entrei no ritmo e cumpri a distância sem grandes dificuldades, apesar de forma algo lenta e um pouco distante da minha expectativa. Gastei um pouco mais de 28', para os 1500m. Afinal o Fernando Ulrich é que está certo: - Ai aguentas, aguentas!


Uma transição menos bem conseguida - o frio não ajudou, alguma demora para enfiar os sapatos em andamento, mas lá segui, em busca de grupos com bons andamentos. Ninguém parecia muito interessado em fazer andar as coisas a sério e em dar o peito ao vento, pelo que lá fomos seguindo, com umas acelerações de quando em vez.

A excitação da competição leva a que, por vezes, se confunda o segmento de ciclismo no Triatlo, com uma prova de ciclismo em pista. Pois é. À mínima aceleração todos querem responder ao eventual ataque, algo que gera situações perigosas nos grupos. O meu grupo não saiu incólume de uma dessas situações, tendo acontecido uma queda que envolveu alguns atletas mas que, felizmente, não me afectou.

Depois de mais uma transição fraca - os pés ainda estavam enregelados pelo que tive dificuldades em calçar as sapatilhas, lá segui para os 10Km finais de corrida, às voltas pelos jardins do Casino do Estoril. É uma corrida bonita, mas muito dura, em sobe e desce constante, com curvas a 180º ao qual se juntava o impiedoso vento.

Consegui entrar num ritmo agradável, após a primeira de quatro voltas e recuperar assim mais umas quantas posições na geral.

No final 02:23:10, correspondente ao 67º da geral e um ingrato 4º lugar no Escalão, ainda que a quase 2' do pódio. Sem grandes motivos de satisfação mas consciente de que, actualmente, não valho muito melhor do que isto.

Nota negativa para a ausência de alcatifas nos Parques de Transição. A única explicação aceitável será a de não terem sido colocadas devido ao vento que se fazia sentir. Não quero acreditar que as medidas de austeridade tenham chegado à modalidade por esta via... :-)

No próximo fim-de-semana estarei em Oleiros, no estágio de ciclismo da minha equipa e voltarei à competição daqui por 3 semanas, em S. Jacinto, para mais um Triatlo, mas desta vez na distância half-Ironman.

Fotos de Carlos Maia, Triatlo Associação de Praças da Marinha e vídeo de Bruno Grilo.